terça-feira, 5 de outubro de 2010

Closer perto demais


O amor é um acidente esperando para acontecer, e se você acredita em amor
a primeira vista, nunca para de procura-lo!

domingo, 19 de setembro de 2010

Amante da lua.



Me faça voar para a lua e
me deixe brincar entre as estrelas.
Me deixe ver como é a primavera,
em Júpiter e Marte
Em outras palavras, segure minha mão.
Em outras palavras, querido, me beije.
Encha meu coração com música
e me deixe cantar para sempre.
Você é tudo o que eu anseio,
tudo o que cultuo e adoro.
Em outras palavras, por favor, seja real.
Em outras palavras, eu te amo.

São paulo y noche para mí. Rafatchello.


La noche no quiere venir,
yo quiero estar cerca de ti,
y poder robarte un beso,
y si no sabes quién es,
y poco a poca dejaré,
que me vayas descubriendo,
quiero estar cerca de ti,
cuando rompa el amanecer,
o cuando se esté oscureciendo.

Tu amor me ha robao el alma,
tu amor me ha robao el sueño,
y a mi me dejó sin nada,
de la ilusión me mantengo.

Soy cautiva de tus besos,
que a mi me queman por dentro,
mi ilusión y mi alegría,
eres toíto lo que tengo.


Y paz de amor se oia y una rosa seré ,
para ti y en mis sueños respondia ,
nunca te olvides de mi.

sábado, 18 de setembro de 2010

No fim do dia..




Só quero saber do que pode dar certo.
Não tenho tempo a perder.
Já tive medo do escuro..
Hoje no escuro "me acho, me agacho e com um copo de martini fico ali.

Uma boa musica do meu mp3.



Se um dia eu deixar você baby... você pode dizer que eu te disse!

E se eu te machucar... Você sabe que eu me machuquei também.

É que todo o caminho para um homem exercer .
Você acha, o que eu quero o meu amado foi .
Disse eu te amo .
Mais do que você jamais saberá .
Mais do que você jamais saberá .

Quando eu não estava fazendo muito dinheiro .
Você sabe onde foi o meu salário .
Você sabe que eu trouxe para casa para o bebê .
E eu nunca gastei um centavo vermelho .

É todo o caminho para um homem exercer .
Você acha que eu quero o meu amado foi .
Disse eu te amo .
Mais do que você jamais saberá .
Mais do que você jamais saberá .

Eu não estou tentando ser .
Apenas qualquer tipo de homem .
Eu só estou tentando ser alguém .
Você pode amar, confiar e entender .
Eu sei que pode ser .
Uma parte de você que ninguém podia ver .

Eu só quero ouvir, a te ouvir dizer .

Estou só a carne e o sangue .
Mas eu posso ser tudo o que você procura.
Eu posso ser o rei de tudo.
Ou apenas um grão de areia .

É dessa maneira que um homem pode continuar .
Você acha que ele quer o que seu amado foi pouco .

Já senti muita falta de alguém, mas nunca disse.

Eu nunca disse o essencial, por que o essencial a gente nunca diz.
E eu nunca disse que;
O Paraíso é... Onde quer que estejamos juntos.

Em cada um dos nossos corações quando estamos juntos.

(São paulo 19/setembro/2010 02:17hs. Rafis.)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gente praticamente minha biografia não autorizada!




A única diferença é que minha cafetcheena nunca usou óculos e a minha tatoo de eshcorpião é BEM MAIS PRA BAICHO!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um passeio sem rumo


Meu coração está perdido, e não tenho um mapa entre as mãos. melhor que isso: tenho guardada no bolso passagem só de ida pra lá. que minha partida seja suave, e que se me vier vontade de ficar por lá eu encontre um porto. que tudo se ajeite aos poucos, que seja leve, que seja adocicado. que eu não tropece em qualquer sonho deletério e, se tropeçar, que me levante sem maiores estragos. que aqueles sorrisos permaneçam iluminando meu caminho, seja ele mera passagem ou destino final. sem tumulto, sem sobressalto, um passeio sem rumo certo nem data pra terminar.

meu coração perdido não tem pressa de se encontrar.

meu medo de ser assim pra sempre.



De repente te pegas acendendo um cigarro na ponta do outro que foi aceso na ponta do anterior e assim sucessivamente de maneira que já perdeu a conta das bitucas e das tragadas profundas e das horas e horas que te encontras nesse espiral de incerteza e falsa calmaria e suspira devagaaaar.

Com essa gente de cabelo cor de fogo que te remete a lugares onde nunca esteve e pra onde gostaria desesperadamente de tele transportar sua alma, aquela que já não tem paz há infinitos dias e noites, semanas talvez, mas já passa das cinco, hora de abrir os trabalhos com o primeiro drink da noite que ensaia sua chegada, hora de amaciar sua alma pra aproveitar mais e melhor aqueles breves instantes em que o céu muda de cor a cada minuto e que, bem sabe, só de abrir os olhos e respirar o fresco, tudo parece estar no seu exato lugar, não importa muito a latitude ou a longitude em que te encontres levas a doce certeza de que o caos sempre cessa momentaneamente nos anoiteceres como que por encantamento e, infantil, repete mentalmente passes de mágica empoeirados da sua infância na esperança de que aquele breve presente se prolongue mais e mais, de que os ponteiros da sua alma congelem ali, onde está constantemente anoitecendo.

Sim, anoitecendo, porque já não presencia qualquer tipo de amanhecer cheio de graça de que falam os poetas desde sabe deus quando, e isso não tem importância desde que te aceite como este ser feito de estranhamentos e fugas constantes, precário e altamente inflamável, és pólvora à espera de qualquer faísca pra te consumir em chamas, ou de algum líquido pra te encharcar e assim te tirar da beira do abismo em que caminha bebada sem pára-quedas nem rede de proteção pra amortecer a queda que fatalmente virá pra te redefinir num amontoado de cacos cortantes, partes de um todo que jamais será recomposto da mesma maneira que antes, o que não te desagrada de tudo, porque pode ser cômodo te reconstruir em figuras inesperadas e indefinidas sem nada esperar ou desesperar, e pode no final das contas sair algo bonito, flor radioativa pra enganar algum desavisado que te acolha delicadamente e aspire teu perfume mortífero iniciando a própria morte lenta-linda-dolorosa a que o conduzirá mais esse brevíssimo navegar impreciso teu, pois só sabe ser diva enlouquecida, contramão, avesso, é o equívoco macio capaz de fazer naufragar tripulações inteiras em mares de risos e falsos festejos, é a escolha mais óbvia, a mais sedutora, a inevitável e, no entanto, é sempre um erro de cálculo para os inocentes, o atalho mais curto para o beco sem saída de uma tragédia a tragédia que é você.

E do belamente trágico se nutre e segue acendendo cigarros em pontas de cigarros acesos em pontas de cigarros anteriores a cada anoitecer e a cada engano sutil e a cada afago porco que ofereces quando pedes para que fiquem, para que cuidem de ti, como se fosse questão de mero reparo toda essa bagunça em que se derrama cada vez que alguém ultrapassa tua linha de segurança, e pela enésima vez jura o eterno e o incondicional a quem só legara confusão e faltas de ar a cada breve movimento seu, e assim se confunde cada vez mais na espessa lama de culpa e miséria em que se afoga cedo ou tarde, pois cedo ou tarde não haverá resposta aos teus pedidos de socorro e de colo e de aconchego e só te sobrará a última queda, a queda definitiva rumo ao inferno particular que cultivaste com cada mentira que disse, com cada olhar que desviaste, com cada promessa que quebraste, com cada frase que não terminaste.

Doces águas do equívoco



Amor romântico é mais um dos clichês absolutos. Borboletas agitadas no estômago, sorriso bobo permantente, drogas cerebrais deleitando e amolecendo o corpo, necessidade inexplicável de estar próximo. Você sabe que vai dar em nada, é sempre assim, afinal, mas nem por isso deixa de se jogar de corpo e alma no precipício da vez. Sim, é sublime, é cor-de-rosa, é novidade para o ritmo do coração, mas sempre é mais um romance, mais uma paixão, talvez mais um amor, mas que inevitavelmente vai te quebrar as pernas e apodrecer o fígado ao final. Ou não, diria você, pouco escolado nas armadilhas da vida aos pares. Basta olhar para os lados e você verá que esse ou não não cabe. É provisório, conforme-se. Nunca é pra sempre, beibe.

Eu já acreditei em abraços-e-carinhos-e-beijinhos-sem-ter-fim. Já enxerguei amor onde havia um cronômetro em contagem regressiva num tic-tac ensurdecedor. Já elegi o melhor sexo do mundo até mudar de idéia ao último grande encontro de corpos (a propósito, sparkling: é esse o adjetivo, nessa língua, assim sonoro, remetendo a fogos de artifício subvertendo o céu norturno, é essa a palavra indicativa de perigo quando lhe vem entre lençóis). Eu já mudei os rumos da minha vida por alguém e já acreditei em ser feliz para sempre como nos contos de fada. Balela. É momento, circunstância, romance de folhetim. interesses mútuos até que a maré das circunstâncias tomem rumos opostos e afoguem a parte que fica pra trás, sim, alguém sempre vai encher os pulmões de água salgada até recuperar o ritmo da respiração pra se curar apesar das cicatrizes que as tragédias amorosas deixam desenhadas na gente. Assim sendo, depois de certo tempo a gente passa a enxergar no espelho uma pintura impressionista mal feita, torta, derretida, sem sentido algum. E aí a gente se fecha, até que algum desavisado tão borrado quanto a gente ache graça na bagunça em que nos construímos/destruímos e outro encontro temporário se arquitete.

Imagino que seja uma noção comum, essa, a de que já estamos tão avariados que a própria avaria, em sua totalidade, acaba nos deixando mais seguros. Será? existirá um ponto de extrema secura em que nada mais pode nos magoar? haverá o dia em que a redoma de proteção, a bolha dos avulsos será de fato eficaz? cheguei a adotar essa possibilidade como verdade, mas os rumos do coração a gente não escolhe, mesmo sabendo o mecanismo dessas histórias, sempre a dor arenosa do deserto nassariano pra finalizar mais um equívoco. E a última queda é sempre a mais doce, a que escorre mais densa, lenta e prazerozamente, a que aos poucos nos consome a ponto de nos levar a acreditar em tudo pra logo após desacreditar no mundo e desistir temporariamente do conforto de não ser só.

Talvez realmente não possam o tempo e os caminhos tortos que a gente toma corromperem nosso consurmir-se avassaladoramente em amores incertos, talvez a lucidez seja inseparável do tormento, talvez. Pode ser que só assumindo riscos e apostando inveteradamente na frágil deontologia do amor sejamos felizes e completos, ainda que aos pingos. E mesmo você que já nem sabe quem é, tantas as vezes que se reconstruiu do aparente nada, há de concordar: só os bichos são realmente fiéis, digo, cedo ou tarde alguém que lhe pareça divino vai te fazer mais uma vez perder o prumo e apostar as fichas que você já nem sabe se tem numa possibilidade, sim, uma mera possibilidade. E quem não quer? eu digo sim, eu quero sins.

Fazendo a linha Paris

O mínimo do homem dos sonhos: se arruma em quinze minutos, não entra em todas as lojas querendo comprar tudo, não é vegetariano, viaja só com uma mala, não tem ciúme até da própria sombra, tem orgasmos múltiplos e nunca nega sexo, não tem os pés gelados nem ciúmes até da própria sombra e não ronca nem arrota alto. enfim, não existe.

O homem erra quando numa noite de sexta-feira em são paulo ou em qualquer outra metrópole ele se entrega ao ritual de se montar. Para os desavisados, tal ritual consiste em, perto das dez da noite, abrir uma cerveja trincado ou servir uma dose de uísque com guaraná zero, colocar madge ou lady ga-ga-ga-gaga pra berrar no laptop e se perder entre jaquetas e maquiagens diversas. depois de alguns goles a trilha sonora fatalmente evolui pra she wants revenge. Porque, no caso específico de são paulo, as ladies bagaceiras estão em contagem regressiva pras red flags and long nights que a balada promete, e todos os trinta e dois pares de sapatos supreendentemente encontram-se largados pelo quarto/closet. Sim, isso é sempre um erro. se não, vejamos.

Que tipo de ser se dá ao trabalho de pintar a cara durante vinte, trinta minutos, sabendo que a produção mal vai durar até a porta do destino semi-final (a baladinha), e quem dirá até o implicitamente planejado final: alguma cama bem servida? qual pessoa com um mínimo de amor à própria coluna optaria voluntariamente por se equilibrar durante as próximas horas sobre um taco de cinco ou sete centímetros com os dedos espremidos num bico fino? o que leva alguém homossexual a se arrumar pra impressionar mais seres do mesmo sexo do que os machos supostamente alfa a serem catados por aí? até porque beesha phina que é bem phina des-pre-za esses tais ditos alfas grandalhões por bem saber que o alfabeto é vasto, que homem é cego pra delineador e que a cueca nunca é devidamente apreciada quando o último capítulo da noite é realmente bem aproveitado, o que costuma acontecer com gamas ou ômegas, em regra absolutamente desligados pra detalhes imperceptíves ao toque, ao olfato ou a um olhar menos intimista.


Não há justificativa racional pra produções que levam mais tempo pra serem executadas do que duram após finalizadas. Sorte dos não alfas, que pulam dentro de uma calça dois números menor, de uma camiseta de mil novecentos e noventa e kevin e deixam o cabelo como está desde segunda-feira pra, simples assim, terem garantidos os olhares de ao menos meia dúzia de donas glorinhas fogosas durante a noite. E sorte das gays que confiam em seu taco a ponto de saírem de casa depois da meia-noite sem salto nem quilos de base e pó (pó compacto, diga-se). Na verdade esses bofescandalos têm a vantagem de não se transfigurarem durante a noite, de não parecerem zumbis com olheiras do tamanho das bochechas após as três da manhã, de minimizarem o risco de uma eventual queda alcoólica, de poderem acordar em qualquer local e tomar um banho sem medo de matar alguém de susto ao terem como escudo apenas uma toalha. Já as antas, digo, antes montadas… Tá, têm lá seu charme decadente, mas ainda assim um crachá da irracionalidade feminina. vai entender…

Vai ter volta!


Aqui se faz aqui se paga. agora vai, carrega sua cruz, faz dela seu escudo e sua arma contra as próximas ciladas que evitará, derramando mil possibilidades de doçura pelo chão. eu não vou te salvar, não vou te carregar, não vou te mostrar o que seus olhos não quiseram ver. parei com isso há algum tempo, porque eu re-al-men-te mereço mais. pela última vez: passou, morreu, morri também pra você. já me fui mil vezes, e sempre deixei evidente que você nunca veio na minha bagagem. sobrei em você como mais um motivo pra que deixe os risos passarem, abraçando aquele papel de vilão que tão bem te veste. e se for pra se fechar, melhor então nem ir, para o bem das desavisadas.

Hoje por acaso encontrei uma fotografia empoeirada nas suas coisas virtuais. foi você quem procurou, e também por isso só pude sentir pena. veja bem: deus não escreve certo nem errado, e as linhas podem ser retas tortas, o que só depende da escolha de cada um. se você faz questão de viver num mundo de equívocos deliberados, engole o dia seguinte e as infinitas ressacas morais e físicas das drogas que você faz e/ou consome. no fim das contas, ninguém se importa. é cada um por si e o tempo contra todos, levando o que a gente deixa de colher na hora certa – e sempre há a hora, o momento, aquele ínfimo respiro em que um olhar ou um toque é capaz de mudar cada existência.

Aahhhhh, a fugacidade dos instantes decisivos… se você não se atira quando há uma cama quentinha pra amortecer sua queda, o próximo salto muito provavelmente vai levá-lo a um tapete de cacos cortantes que você mesmo espalhou. conforme-se: o todo é feito de pequeninos pedaços, e qualquer história a dois é uma colcha de retalhos rasgadoscosturados por dois. o rock acabou, meu bem. nada pra sentir, dia após dia, ausência após ausência, finais de noite vazios um após o outro. pode ligar sua tv no jô sem esperar uma aparição pra te dar um mínimo de conforto ou aconchego. cerveja após cerveja, canção após canção, banho de mar após banho de mar, sempre lhe restará o espaço vazio que cabe àquela projeção que já não sou. o mundo não parou de girar por um segundo sequer desde seu primeiro não – nem desde meu desencanto.

Tem volta, sempre. olha pra esse espelho e aprende. ou continua se escondendo atrás da sua cruz de papelão. talvez sejá esse o karma que você faz questão de alimentar a cada levantar da cama nas suas manhãs – mas eu já não me importo, já não quero conhecer o alguém por trás dessa máscara suja. faz anos não quero suas mãos em mim. e por isso, dadas as circunstâncias, tenho que me repetir: sinto pena, só pena. mas esse leve pesar não me é um caminho pra te confortar num abraço e dizer que vai ficar tudo bem. não vai. não pra você. o caminho vai ser longo, e, ao que tudo indica, suas entregas sempre serão fora de hora e de contexto. pelo que você é, pelo que você deixa de construir, pela sua falta de bom senso.

Sabe que, nesses desencontros da vida – e justamente por causa deles, hoje sei – houve um tempo em que minha curiosidade em relação a você era uma paixão? é claro que você sabe. e sabe que, apesar de até pouco tempo atrás eu ter utilizado como estratégia de sobrevivência sentimental os tais “tampões de afeto” você nunca sequer chegou a ser cogitado como um? estranho, dada minha confessada e suicida carência. talvez sua amargura fosse um preço muito alto pra todas as merdas que já fiz, a maioria delas sem querer e sem pensar, e talvez ninguém mereça tamanha complicação ao longo de uma existência. e olha que um tempo atrás eu adorava problemas, era chegada em qualquer tormenta capaz de sacudir minhas estruturas. acho que, no seu caso, meu senso de auto preservação, que não é lá muito desenvolvido, falou mais alto no meu inconsciente. nem meu imundo coração merecia tanta bagunça.

Apesar de todos os seus pesares, que definitivamente não são meus, esse pequeno episódio me entristeceu. sem fazer o menor esforço posso visualizar perfeitamente o quadro de molduras podres em que você está estacionado – sim, eu já estive aí inúmeras vezes. desejo a você fé e paz e uma reviravolta nesse seu jeito quase que sombrio de ver o mundo das relações a dois. te desejo pulmões razoavelmente limpos, fígado em pleno funcionamento e nariz sem escoriações. te desejo tudo de bom e o alívio do esquecimento, enfim. porque mesmo após a maior das tempestades o mundo pode se fazer um bom lugar pra seguir.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O monstro dentro de mim.


Há um monstro dentro de mim.

Ele aparece principalmente quando você está por perto.

Observa pelos meus olhos os seus gestos, me retorce a barriga, ainda plena, num nó de fúria e sussurra, de mim para mim, as lições que eu deveria lhe dar.

Esse monstro me mata, amor. E mata devagar. E ele já se mostrou a você:

Na primeira vez, éramos somente nós, e eu me abri, revelei meu caráter mais íntimo, e lhe mostrei o que existe dentro de mim. Você não disse nada. Mudou o assunto, comprar cerveja, alugar um filme, mas vi nos seus olhos aquele desassossego de quem tenta enganar o medo.

Na segunda vez, tivemos platéia. O erro, o grito, os queixos esmurrados, o escândalo. Lembro que quase sorrindo dos olhares chocados no bar. Lembro de você quase chorando das minhas ameaças, mas não me deixe, não, amor, eu serei bom…

Foi só do muito que eu o quero que consegui fazê-lo ficar. Recolhi o demônio ao meu calabouço mais profundo, o soquei minha alma a dentro, embalsamado. Então, comprei, flores, perfumes, momentos de calmaria e gentileza, e olhe, amor é a nossa música tocando no rádio. Dancemos.

Chorar, nunca. O monstro permite nunca o lamento e sempre o ódio.

Mas o monstro cochila e pisca os olhos sonolentos, muito vivos, para mim. Ele me diz que eu devo ser severo. Para puni-lo por tudo o que ainda não fez. Para não deixar que você me engane. Você me engana, amor? Com os abraços e os beijinhos e os amigos que na sua boca são apenas amigos e talvez na sua esperança sejam mais? Você me diz que não há malícia, não há maldade neste mundo a não ser em mim, mas ilude-se e me ilude consigo: há interesse nos gestos casuais desses sujeitos que te cercam.

Você é belíssimo. Belo demais para ser de um homem só. Belo demais para que o homem que te tem suporte dividi-lo com outros.

O monstro que mora em mim vigia seu domínio, querido.

Você e eu?

Suas vítimas.

Seu nome?

O ciúme.

Esse monstro me mata, amor. E, um dia, matará a nós dois!

Diga que me quer namorar, criatura do céu. E a gente faz amor quando tiver que acontecer.

Quando duas pessoas resolvem ficar juntas elas fazem um acordo. As regras variam mas basicamente é algo assim: você fica comigo, eu fico contigo, me segura pra eu não cair que eu te seguro também, me faça sorrir quase sempre e me deixe chorar de vez em quando que eu farei o mesmo por você. Parceria. Sociedade.

Feliz

Felicidade não tem receita. Que bom!
Pena que, mesmo assim, tem gente que se choca comigo só porque eu me atrevo a tentar algo diferente.
Eu gosto das minhas estranhezas. Gosto dos meus vícios. Das minhas porquices.
Gosto do meu entusiasmo diante de “bobagens” e da minha absurda sensibilidade ao raro, ao amor, à beleza.
Gosto de ser besta e romântico, ainda que às vezes me envergonhe de gostar, pois não há quem pague, nem apague, minha emoção. Gosto até da minha familiaridade com o que há de mais sinistro e podre em mim, nos outros também. Gosto da minha teimosia, do meu orgulho, da minha ranzinzice.
Gosto dessas coisas todas não porque preciso delas para me sentir diferente.
Gosto delas simplesmente porque elas me tornam o que sou.

Diferente? Sei lá. Isso importa?
Eu não encomendei “diferente”. Só pedi “feliz”.

Essas esquisitices todas me fazem feliz. E eu não saberia ser feliz de outro modo.

Recadinho pro preconceito: ME ERRA!

(A foto é de 2009, do celular, a escrita é de 2006 tirado
de uma agenda escolar da minha adolecencia).

Alma

Hoje estou em casa gripado, sem fome, sem ânimo e sem saco. Apesar da nhaca, um curta-metragem animado por um animador da Pixar conseguiu dar uma arregalada nos meus olhos de ressaca. Mas atenção: a obra não é apenas linda, é também de humor negro e um pouco previsível. Apesar disso, rola aquele desespero por saber o que vai rolar…




Que não cruze o meu caminho quem me despreza.


Eu teria perdoado sua beleza, não fosse sua inteligência. Poderia ignorar sua inteligência, não fosse sua beleza. Poderia esquecer a ambas, não fossem seus múltiplos talentos. E a este eu até faria vista grossa, não fosse sua personalidade bondosa, vibrante e magnética, capaz de se compadecer sem se arrasar, amar sem se perder, doar sem ciume, iluminar tudo à sua volta sem esgotar o próprio brilho.

Eu teria perdoado qualquer dessas coisas. Mas não todas elas juntas. Era pedir demais.

Por isso, depois de finalmente arrastár ele para a cama e o questionar por horas, apertei com força a echarpe de seda em torno do seu pescoço até ele parar de se debater.

Foi melhor assim. O mundo não estava pronto para ele.

Nem eu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ex-namorado.


Pareçe sabe o que?
Parece que eu peguei uma camisa muito especial, (um armani).
E emprestei pra um amigo.
Ai esse amigo, vestiu a camisa e a camisa ficou muito mais bonita nele.
Do que ficava em mim...
Ai ele foi pra um festão, sujo a camisa, deichou cair vinho na camisa, lambuso a camisa.
E a camisa. Continuo muito mais bonito nele do que ficava em mim.
Se eu me arrependi de emprestar o meu armani pra um amigo???
Não! não me arrependi.
Mas ele tem que cuidar muito bem né, pra merecer.
Se não? Eu pego de volta!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Antes de trabalhar



Acordo cedo,
Com pé no freio
O mundo inteiro começa a girar

No banheiro
Olho no espelho
E crio coragem
E ponho pra andar
Carteira, chave no bolso
Tá carregando, meu celular
Acredita,
Ninguém apita,
Quem vai querer hoje me segurar

É,
Eu tô na vida é pra virar,
Que a felicidade vem,
Eu tô sonhando mais além

Não,
Nem vem aqui me atazanar
Se eu tô rindo é pra você
Eu não fui feita é pra fingir

Eu tô ligada é no amor
Que se tem pra viver.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Couro e jeans, glamour de garagem.



Nós somos o público, nós estamos che-chegando.
Liguei meu flash, é verdade, preciso daquela sua foto.
Isso é tão mágico, nós seriamos tão fantásticos.
Couro e Jeans, glamur de garagem.
Não tenho certeza do que isso significa, mas essa foto nossa.
Não tem preço, pronto para aqueles flashes
Porque você sabe, amor, que eu...

Eu seu maior fã , vou te seguir até que você me ame.
PPaparazzi
Amor, não há outro superstar, você sabe que eu serei seu.
PPaparazzi.
Prometo que serei gentil, mas não vou parar até que aquele cara seja meu.
Querido, você será famoso, te perseguirei até você me amar.
PPaparazzi
Serei seu garoto no bastidores do seu show.
Cordões de veludo e guitarras, é, porque você é minha estrela do rock.
Entre os sets, delineador e cigarros.
Sombra está queimada, amarelei na dança e retornei.
Meus cílios estão secos, lágrimas roxas, eu choro.
Isso não tem preço, te amar é uma torta de cereja.
Porque você sabe, amor, que eu...

Realmente bom, estamos dançando no estúdio.
Não pare, aquela musica no rádio.
Não pare, para ninguém.
Somos falsos mas nos divertimos!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O bruno disse (se cuida) pra mim.

i just gotta get off my chest
that i think you're divine
you possess every trait that i lack
by coincidence or by design

(prontofalei!)


Como faz quando a casa já caiu e a gente só percebe quando as fraturas causadas pelos escombros se evidenciam expostas em todos os membros e órgãos vitais? vai saber… o coração segue batendo errante, sangues trocando caminhos, pensamentos tortos por vias difusas e confusas a ponto de confundir tudo… y ahora, amigo? agora nada. é rezar pra conseguir seguir em frente apesar da hemorragia e de não haver caminho ou qualquer deus personalizado.

normalmente, nessa fase, a pessoa que pôs fim à relação costuma ser muito gentil, educado, compadecido com o sofrimento do ser que atropelou. se pouco determinado, pode mesmo ceder ao apelo silencioso por carinho do outro e sofrer falsas recaídas (sexo). havendo noites esparsas de flash back ou não, os reencontros são invariavelmente pontuados por aquela frase monstra: "se cuida".

convenhamos: "se cuida" é a morte. o apaixonado tende a criar falsas esperanças do tipo "ah, ele se preocupa comigo", mas não é por aí. o outro tá dizendo: se cuida, porque eu não vou mais cuidar de você. ou: seja feliz. entenda-se: seja feliz sem mim, dá seus pulos, porque eu tô muito bem, obrigado, sem você. duro, mas é esse o real sentido da coisa... =(

Paz comigo é o que você não vai ter, prometo com todo o carinho safado do mundo.

Beijomeliga. Agooooooooooora!!!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

♥ Carta ♥ para ♥ Michelle ♥ Evelyn ♥


Pra começar, quero reafirmar o que você já tá cansada de saber: meu círculo de amigas-pra-todas-as-horas é mínimo, e te escolhi a dedo (não literalmente) pra fazer parte dele por tudo de bom que você esbanja com a maior espontaneidade. me apaixonei por você à primeira musica. acontece que, como você também já cansou de ouvir, minhas paixões não são incondicionais.


Doeu o puxões de orelha porque faz todo o sentido do mundo. andei meio desnorteado mesmo, e me conforta o fato de saber que você vai entender meus motivos. você sabe que sou meio sem noção, meio de extremos. se bem me lembro, foi por isso que a gente se encontrou tanto um no outro, não?

Hoje em dia eu mando tudo pro inferno e vivo o agora sem pensar demais! vou ser feliz e pago o preço depois, quando vier a fatura. arrisco, bonito. afinal, eu realmente não sou uma pessoa descartável.


Tenho pensado muito em você nesses dias. saudade já paira por aqui, embora ainda posso sentir o cheiro do seu cabelo. o que me inquieta é essa dor tão velha que eu insisto em mastigar de novo e de novo e de novo. me tira o sono a certeza de que mais uma vez eu vou até o fim procurando aquele mesmo final feliz das outras vezes – e que nunca deu sinal de existir. não me conformo com essa minha paixão pela contramão.


Depois da nossa última conversa, eu não preferi realizar meus sonhos com itinerário certo e ponto de chegada definido ao custo de sacrificar outro com rumos e caminhos desconhecidos.


Nada vai me impedir de viver cada segundo desse clichê com a devida intensidade. ando esperançoso demais, e não acho a esperança uma coisa bonita. vejo esse sentimento como primo da pena e irmão do conformismo. gente esperançosa é gente boazinha, gente queridinha, gente evangeliquinha. esperança me dá a idéia de sentar e esperar acontecer, de dar chances e não se mexer, de acreditar no inexistente. péssimo, isso. principalmente quando se deposita todo esse tomara-que-venha em alguma pessoa.


E quando eu estiver triste, mas triste de não ter jeito, quando de noite me der vontade de chupar uma gilete, lá vou eu passear pelos minimos óbvios, sempre me custa um suspiro. dessa vez me fez lembrar de amores que me tiveram sem que eu os tivesse de fato e, por outro lado, dos meus amantes mal amados. as realidades são semelhantes, mas as situações, diametralmente opostas.


Meus 18 anos de boy, that's not over beibe. somos pessoas inteligentes, maduras e civilizadas. admitimos que o ciúme é um sentimento maléfico, sinistro, e desejamos adiantar seu atestado de óbito de uma vez por todas. inexistindo fórmula mágica de um veneno capaz de ejeta-lo de nossos corações, o jeito é adotar o plano b: a técnica da distração deliberada, que consiste em contar até um-milhão-mississipi quantas vezes for necessário pra conter os chiliques que com certeza virão pra cada um de nós. se maturidade, inteligência e civilidade não me forem suficientes pra motivar esse tipo de atitude, penso que auto-controle é sinônimo de não descer do salto - um luxo.

Ólha só, Michelle, tô sabendo da sua relação com o rapaz lá, mas não tenho nada com isso. é coisa de vocês, e não sou ninguém pra julgar e muito menos pra condenar alguém. o modo como te vejo ou o que sinto por você não mudou. pelo menos no que diz respeito a mim. seu sonho, que também era meu, aconteceu e foi lindo. continuo te querendo muito bem, tudo inabalado em mim. a gente não pensa igual em tudo, o que é perfeitamente natural. não podemos curar as feridas do mundo nem decidir pelos outros. enfim, quanto a mim, ainda ouço a faixa 5 do uma outra estação, continua tudo igual apesar do passo em falso, se é que houve um.


Te mando um abraço de pescoço, peito e barriga.
fica bem. e se controla. ou se descontrola. (faz de conta que tô te dando um abraço gigaaaaaaaaante e passando a mão nos seus cabelos perfeitos e rindo muito e te trazendo um café e tudo e tal.)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

NÃO EXISTE AQUECIMENTO GLOBAL!!!




Segundo Luiz Carlos Molion, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU.








Especial para o UOL Ciência e Saúde.



Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.


Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.


UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?



Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.


UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?

Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.



UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?


Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas – algumas das que falavam da nova era glacial – que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.



UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.



Molion: Depende de como se mede.


UOL: Mede-se errado hoje?


Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.


UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?



Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.



UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?


Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.


UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?


Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.



UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?


Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.


UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?


Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.


UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?

Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.


UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?


Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.


UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?


Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.


UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?


Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?


Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.


UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?

Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?

Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?


Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dias de monster


Como faz quando a casa já caiu e a gente só percebe quando as fraturas causadas pelos escombros se evidenciam expostas em todos os membros e órgãos vitais? vai saber… o coração segue batendo errante, sangues trocando caminhos, pensamentos tortos por vias difusas e confusas a ponto de confundir tudo… y ahora, joselito? agora nada. é rezar pra conseguir seguir em frente apesar da hemorragia e de não haver caminho ou qualquer deus personalizado.

Minha mãe mencionou anticoncepcionais, mas não tive firmeza pra assentir. meu pai cogitou viagens internacionais com namorado e eventual genro, mas não tive a menor evidência de que isso seria possível num futuro próximo. minha irmã convidou pra uns dias com meu (nem tão) óbvio acompanhante, mas não tive chão pra propor nada parecido com isso. e sigo aqui, meio sem rumo. porque o mundo é dos pares. avulsos seguem com a manada até que uma aderência espontânea (ou não) enterre a malfadada “solidão” ocidental, maldição dos que ainda não caíram nas teias de um amor pretensamente definitivo – ou que já escaparam de um conveniente-e-equivocado-felizes-pra-sempre.

Já não quero a sorte de um amor tranqüilo. não nos moldes de uma canção do cazuza, ao menos. romantismo de cu… digo. ah! foda-se! é rola e pronto! mc romance a gente cata em cada esquina, e é muito bom no breve espaço de tempo em que as borboletas se agitam por si só. mas isso de matar a sede na saliva é extremamente passageiro. depois de um tempo começa a faltar coca light, cerveja, moscatel, enfim, realidadeANDconteúdo. e então, london, san diego ou barcelona chamam mais alto, e a paixão já foi pelo ralo antes que se perceba. amarga, yo? talvez, mas muitos remédios eficazes o são. minha vez de abandonar o barco da doçura.

Isso de ficar com os dois pés e as duas mãos atrás nunca foi meu. sempre agarrei com unhas, dentes e longilíneas pernas qualquer possibilidade de amor. hoje, estranhamente, vejo que afeto, carinho e atenção podem ser apenas o tal do “amor cortês”. sim, amor, mas sem nada carnal ou sexual. eu hoje acredito amar profundamente com toda a leveza possível, e ainda que não passe disso que hoje se me coloca em minha mesa me darei por satisfeita. não que não pudesse evoluir, mas a gente aprende que às vezes não vale colocar o corpo na roda. não até que se tenha certeza que as eventuais feridas vão valer o dispêndio de “alma limpa”, ou, noutras palavras, de amor-sincero-e-agudo.

Sim, porque isso é digno de ser guardado para pouquíssimos ao longo de uma existência. pra tirar desse involuntário embrulho pra presente, somente diante de um sinal inequívoco, público e notório – porque esse tanto que posso oferecer, aprendi a reconhecer, é para poucos. cansei de jogar pedaços meus em latas de lixo de egoísmos estéreis. cansei de ser a parte que arrisca sem sinal verde brilhando em garantia. como diria clarice, eu quero o “é” da coisa – nada menos que isso. e, afinal, eu quero sim, eu quero sins.

i just gotta get off my chest
that i think you're divine
you possess every trait that i lack
by coincidence or by design

(prontofalei!)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pirofagia



Encontro de almas ao preço de esmagadores socos na boca do estômago. olhos úmidos e abraços cheios de significado. fé. amor, muito amor. e o que conta é como você amou, não como te amaram. a vida tem dessas coisas… sopro de ar fresco em temperaturas descontroladas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O que seus pais pensam?


terça-feira, 6 de abril de 2010

Vem de mim.

Excentrico de coração gelado, dizem que lembro cazuza, digo talvez peter pan ou um icone presidiário; não sinto, não me comunico, não sei amar, não cresço, acredito na sininho e só penso putaria.


É o jeito como as palavras dançam na minha língua antes de deslizarem da boca pra dizer qualquer coisa que te quebra as pernas.


É o jeito como as palavras dançam na minha língua antes de deslizarem da boca pra dizer qualquer coisa que te quebra as pernas.


Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato,a questão é...Ou toca, ou não toca. Isso lhe assusta?Creio que sim. Mas vale a pena.Mesmo que doa. Dói só no começo.


Eu não sou quem você sempre sonhou,não sou de mandar recado, não sou de pedir desculpas, não as mereço nem as vou merecer, sou aquele que desvirtua seu rumo,arrazo com o seu progeto de vida, sou eu quem vai te enfurecer e paz comigo é o que você não vai ter.


Sou um grande coração cercado de dúvidas por todos os olhos, Sou caleidoscópico: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.tenho que ter paciencia para não me perder dentro de mim, por que sou varios caminhos, incluxive o fatal beco sem saida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Becos sem saída.

(eu não sou quem você sonhou
não sou de mandar recado
não sou de pedir desculpas
não as mereço nem as vou merecer.
sou aquele que desvirtua seu prumo
sou eu quem vai te enfurecer e paz comigo é o que você não vai ter) rafis.


Foi sem querer. juro. é que te ver me dá calores em plenos vinte e um condicionados graus celsius, difícil dormir nessa cama gigante. sabe a pessoa errada na hora errada – questão de timing pefeitamente errado–, e que por isso mesmo consegue virar tudo de ponta-cabeça? poisentão. você é minha contramão, literária/sincera/talvez-um-pouco-cafajestemente falando. penso mais do que deveria em você todo santo dia, com vontade de spring brake en cancún, e tropeço na minha certeza de não querer mais ser parte de um par, metade de outro alguém. não, não é nada disso – respiro fundo e repito mil vezes pra mim mesmo. mas eu não sei me controlar.


Eu olho pra todo esse barro, pra essas incontáveis poças de lama de época de chuva no sudeste do brasil e a primeira coisa que enxergo são as estrelas refletidas. olhos de romance, instantânea felicidade suprema. não procuro por isso, não hoje. mas como fugir? tô indo pra me perder, me distrair, ver mamilos-rosados-água-e-sal de perto, pra esquecer meu nome pelo menos até o próximo amanhecer – e o próximo e o próximo, até acreditar em algo. um pouco de desordem, pra sacodir qualquer certeza vã. será este o porto? me virá vontade de voltar? eu me rendo, me deixo levar pra onde meus pensamentos e meus dedos em qualquer teclado me indicarem como melhor direção. não a mais segura direção, mas a melhor para o dia. porque viver um de cada vez é o que funciona pra mim de uns anos pra cá.


Tão certo como dois e dois são sete, não vou mais escorregar nem entrar em becos sem saída; nada de amolecer ou ensandecer por qualquer faísca que de leve ilumine meus cantos escuros. hoje não sou mais espero, e justamente por isso não há mais grandes expectativas. certo? há controvérsias. eu sempre vivi buscando em alguém alguma coisa que talvez, quem sabe, só exista em renato erick. mas, beibe, eu não sou bi nem amo tanto assim essa brancura. cadê você pra dançar comigo minha dancinha debochada que em tão pouco já virou tendência entre a juventude dessa imença cidade depois de (nem tão, admito) poucos copos e em tão poucas baladas? é. em terra de cego quem tem olhos é lady di. mes-mo. cadê aquele beijo de namorinho-de-portão que já me arrancou alguns suspiros? cadê meu sono de dia-de-semana indo pras cucuias? cadê bater meta de fechar o último bar da paulista? tsc. missin ya, hon.

Olha, eu não tenho nada contra samba canção, mas ver alguém, ainda que por breves segundos e desviando o olhar, encaixado di-vi-na-men-te numa boxer escura… putaqueoparirafis. derruba qualquer mortal. me diz, o que é que eu faço? como dormir com isso? aaahhhh! sabe, por votação mundial, incluindo três votos na europa, qual the most delicious body part in men? resposta quase unânime: aquelas curvas, abaixo do umbigo, acima da virilha, aquelas que se acentuam em você e que hipnotizam quem quer que tenha a sorte de te ver [thanks, dear lord], ainda que de relance, com pouca roupa? ain, no fim, o mundo não tem sido tão cruel com minha pessoa…


Como diria amy, não vou aprender a me comportar, não vou me impor grandes mudanças ou adaptações para ser um bem – o seu bem. tanto perdi que já não faz mais muito sentido me dizer não. me vou. talvez volte pro feriado, talvez não volte mais. nessa novela o pior já passou, rezo a santo vinícius pra que assim seja. se for me querer seja inconseqüente (!!!). paz comigo é o que você não vai ter, prometo com todo o carinho safado do mundo.

beijomeliga. agoooooooooora!

quarta-feira, 31 de março de 2010

i told you i was a trouble boy, you know tah't im no good.


(assim, porque és morno, e não és frio nem quente,
vomitar-te-ei da minha boca. (apocalipse, capítulo 3,
versículo 16)



Era quase manhã e eu vim caminhando sozinho até minha casa, em passos arrastados pra aproveitar o restinho da noite fresca e clara de estrelas. logo na segunda quadra machuquei o dedão do pé num paralelepípedo solto. só vi o estrago quando sentei na varanda pra fumar o último cigarro: metade do meu chinelo tingida de vermelho. naquela hora não senti dor nem nada, tão longe meus pensamentos passeavam. talvez toda aquela vodca com limão, gelo e açúcar ao longo da noite veloz tenham ajudado a anestesiar aquele talho. não importa. o fato é que naquela sentada na varanda ao amanhecer eu não estava de fato lá – faltava-me algo pra estar inteiro.



Minha cabeça tem passeado por lugares que eu não faria muita questão de visitar em sã consciência, mas esse negócio de sanidade nunca foi meu forte. e mentalmente dobro repetidas vezes aquela velha esquina, mesmo com a certeza de que dali pra frente o único destino é descer aos tropeços ladeira abaixo, lá praquele lugar que tão bem conheço e onde ninguém quer estar – o vale das confusões doloridas. e sabe, até aquele momento esse era o lugar onde eu enganava minha fome de afeto com qualquer amor porco, raso. não importa o personagem, o lugar é sempre o mesmo: ali minha desesperada vontade de encontrar outra alma era destilada por algum pequeno sofrimento, por acontecimentos sem muita importância que me distraíssem de olhar pra mim mesma e redescobrir o que sempre esteve aqui.



Dia claro, deitei na cama gigante e tentei me aconchegar nos lençóis de algodão com cheiro de limpos. a cabeça lenta, mas incessantemente percebendo que algo havia me acontecido naquela noite. não, não houve beijo ou namorado. não houve velho amor revisitado nem novo amor encontrado. houve conversa aleatória, dancinha debochada e drinques até a hora de ir. cadê o garoto que saiu de casa às dez da noite de ontem? não consegui encontrar, não morava mais em mim. toda aquela tolerância – essa palavra tão feia que insiste em me perseguir –, toda aquela generosidade típica dos carentes, todos os sins a postos pra sair da minha boca, tudo o que me fazia uma homem-de-amor havia desaparecido. é meu lado b dando as caras, o eu que sou mais eu, aquele que não é das-melhores-pessoas-pra-se-aproximar-de e que carrega um crachá de “problema” agarrado no decote profundo.




Depois de três horas de não-sono me levanto pra comprar cervejas e abacaxis pro churrasco de papai. saio va-ga-ro-sa-men-te da garagem pra não dar pinta e sigo a menos de 80 até a saída da cidade pra pegar um vento com cheiro de mato. mal posso acreditar nesse meu novo ser-e-estar. novo não, saudoso. pode parecer egoísta ou romanticamente nulo, mas a sensação de ter o coração vaziamente tranqüilo, a mente sem expectativas e a alma descansando é indescritível. volto pra casa, converso monossilabicamente aos copos amarelos e como um tiquinho de picanha até me dar conta de que é bicho morto – vamos partir pra maionese de mamãe e pro abacaxi com canela, mas não muito pra manter o peso ótimo recém conquistado. sol rachando, piscina morna convidando, mas a cama é quem chama mais forte. só até anoitecer, porque aqui a noite é simplesmente divina – morna, lisa, vento com cheiro de cimento molhado. são paulo, afinal, tem seus encantos.



Me levanto depois das sete da noite. domingo, silêncio absoluto, quintal bem cuidado de papai e mamãe com muro vivo muito verde, chão de tijolos e piscina ainda morna. preguiça de mergulhar. sento sozinho na mesinha de plástico branco – todos estão jogando baralho, bem família. um cigarro, uma cerveja com a embalagem esbranquiçada, ipod de lista em lista. porque a lista do ipod que você escuta revela seu estado de espírito. e não há rock ou dor de cotovelo que aquiete quando a alma saltita serelepe dentro de você. hora de atualizar a biblioteca. não tem mais volta: aquela de menos de 24 horas atrás saiu deste corpo. sou outro, sou inteiro, sou muitíssimo homem, obrigado. e na lista de aleatórias vem aquela do one-two-three-four, uno-do'-tres-cuatro. putaqueopariumarisa! vontade de dançar sozinho, bem fernanda-bbb, ou entre letícia e bruna e grazi e leandro, ou para aquele cara que deixei dormir sozinho outro dia – hoje vejo – por estar desfalcado de mim, faltando o pedaço homem-pra-caralho que há pouco e meio sem querer recuperei.



Do lugar onde está meu coração posso dizer com toda a certeza do mundo: não vale ser metade à espera de, não vale perdoar ou relevar o imperdoável ou o irrelevável. é cada um por si e madonna por todos, até que apareça não metade, mas alguém que valha ser a segunda pessoa do seu par, alguém que compense todos os outros nãos pra todas as outras pessoas interessantes e interessadas que certamente virão. pouco é pouco, morno é morno, ponto. contentar-se com isso é desperdício. hoje novamente vejo (tá, comprei lentes novas com o grau de que necessito, tsc) que o mundo é muito grande e que não preciso ficar nesse lugar onde me enfiei por vontade ou mero equívoco. seja lá o que lhe falte, seja sexo, drogas ou rock, se falta é sinal de que você não encontrou seu lugar. e cedo ou tarde isso vai se tornar evidente. força na peruca e no salto sete! corra, rafis, corra! merecemos. seja quente ou seja frio; naõ seja morno que te vomito.



Voltei a pensar que o melhor som não é o de um sussuro, o de uma declaração sincera ou o de um gemido espontâneo. é o de uma latinha ou long neck de cerveja sendo aberta. proust! rumba! tá, não o mais prazeroso, mas o som mais fiel capaz de arrancar um sorriso em qualquer dia da semana ou hora do tal dia ou da noite. ninguém é indispensável, há felicidade e completude individual – embora invariavelmente temperada com um mínimo de egoísmo, frieza e desencanto. não faz muita diferença quando se chega a esse ponto: ao ponto de simplesmente não se importar, de fechar os olhos pra deliberadamente não ver, de não esperar por nada divino, de afastar qualquer possibilidade de amor até que ela se mostre digna de atenção.



Depois desse brainstorm não senti mais meu dedo do pé arrebentado, é o que menos deveria doer, afinal. já fez casquinha. enfim. não espero. não quero profundidade nem solidez. não agora. quer dizer, não que não queira – só não procuro. se vier, que seja arrebatador a ponto de me levar cego-surdo-e-burro. se não, certamente passarei bem. me encontrei depois de me esforçar até o último cantinho da alma pra ser amor, pra ser um sonho, um bem pra alguém. e, agora vejo, quase deixei passar o que seria de-li-ci-o-so pra mim, sozinho-avulso-single-ladies. já volto, amora, certamente muito mais terrível que na minha partida. que você possa com isso. aloka.


Mas micareta, jamais! hepatite, cárie e todo o resto. essa meta de mais de cinqüenta por noite é insana, vale no máximo por uma vida. como se eu fosse pó, você me cheira – tô fora! nem com ipod e camarote global grátis-free! tenho dito.

sábado, 27 de março de 2010

Rehab para o coração.


Já dizia o poeta: quem tem alma não tem calma. isso se torna cada vez mais verdadeiro na fluidez em que vivemos. as pessoas demoram 35 anos pra se casarem e menos de cinco pra descasarem. é o fast romance, modalidade de relacionamento preferida dos modernos. a justificativa para esse padrão de comportamento reside em buscar a felicidade ao máximo, ainda que numa seqüência de doses mínimas. não vejo probelma nisso – pelo contrário: nada melhor, nada mais humano que ter fome de gente. tem um pequeno porém: quem vive amores líquidos acaba perdendo uma das partes mais bonitas das ligações afetivas – as celebrações.
Hoje em dia não se comemora mais aniversário de namoro simplesmente porque ele não é lembrado. são tantos inícios que a data passa a ser mais uma qualquer no calendário. bodas, então, nem se fala, pois elas nem chegam a acontecer. não falo de uma comemoração cafona com setenta parentes distantes parabenizando por anos de tolerância, mas da lembrança de que duas pessoas construiram algo bonito e assim o mantiveram durante meses, anos. trata-se de celebrar o humano, a vida e a convivência – esta principalmente, por raramente perdurar em nossa modernidade pastosa.
Festejamos natais muitas vezes sem saber direito o porquê, e isso os fazem datas especiais. por que não celebrar datas que marcam algo realmente extraordinário na vida de cada um de nós? por que limitar-se aos nascimentos? com champanhe ou guaraná, vale a alegria de sentir-se capaz de afeto, de deixar-se afetar pelo outro. talvez seja esse o xis da questão: hoje em dia ninguém mais se deixa descobrir. é mais fácil ficar em começos, nas primeiras descobertas sem deixar que o lado imperfeito do outro se revele. pra que cobranças e carências se há outro corpinho disponível logo ali? pra que calma e compreensão num mundo em que a superficialidade se mostra tão atraente por sua leveza? muito mais cômodo consumir pessoas da mesma forma que consumimos tecnologia ou peças de vestuário da estação.
Cada um sabe de si, e há fases em que amores não cabem. há os períodos de resguardo, de rehab para o coração, mas há corações que simplesmte desaprenderam (ou nunca aprenderam) a se deixar bater por alguém. por esses eu lastimo. não por conservadorismo ou idealismos de um romantismo inadequado, mas por acreditar que ter alguém capaz de nos fazer reunir forças pra mover o mundo é um sentimento único, uma razão pra encarar cada dia com a bravura de um gladiador. na verdade, talvez até seja inadequado esse meu romantismo, mas por entender que não há maiores explicações sobre de onde viemos e pra onde vamos, algo pra preencher cada respiro com significado pode sim ser de maior valor que qualquer coisa. ridículo? sim, como toda carta e amor. mas afinal, ridículo é quem nunca escreveu uma carta de amor – provavelmente por nunca ter sentido essa sensação orgasmática que descrevem como “carregar borboletas no estômago”.
Contra a fluidez da modernidade não há remédio, nem desejo que haja. interações instantêaneas podem ser muito positivas e prazerosas. ao lado de toda a efemeridade torço para que perdure aquele pedacinho de passado em que as pessoas acreditavam em poderem ser felizes para sempre ao lado de um par eleito; desejo com toda minha alma não ser uma das poucas últimas românticas de todos os litorais; rezo para que os amores perfeitos e imperfeitos se perpetuem além de poesias e canções. sem medo de ser clichê, e sem dúvida o sendo, desejo que todos os corações se embriaguem ao menos uma vez dessa coisa cafona que chamam de paixão. assim sendo, estou certa de que todos entenderão minha old fashioned ode às bodas. porque de descartáveis já chegam embalagens e artigos de higiene…

sexta-feira, 26 de março de 2010

Será a suécia o paraiso?

A suécia é um país localizado na europa das noites sem fim, região também conhecida como vodka belt [a absolut é fabricada lá]. a população local é composta por 79% de idosos ricos do sexo masculino; dos 21% restantes, 82,5% são suecas loiras, altas, magrelas, peitudas, bem-educadas e dominadoras, na faixa etária entre 17 e 28 anos.


Econômica e socialmente, os suecos vão muito bem, obrigada. todos têm acesso à educação e à saúde. o índice de desemprego é mínimo, já que o mercado de trabalho no ramo de filmes adultos é amplo. no último ano, a balança comercial sueca fechou com superávit de 142 milhões de euros devido às exportações de cães geneticamente modificados e de loiras-delícia.

Os nórdicos têm uma cultura típica conhecida mundialmente. são os criadores da lap dance e expoentes máximos da luta de mulheres no chantilly, esporte praticado por 9 entre 10 suecas. quanto aos nativos célebres, destacam-se victoria silvstedt, ingmar bergman, greta garbo, ingrid bergman, abba, the cardigans, the hives, roxette e the hellacopters.
A religião predominante é o neo-hedonismo, já que os suecos não têm alma. talvez por isso ocorra o suicídio em massa de jovens no inverno, fenômeno denominado svår-emo. para erradicar esse mal, o governo sueco acaba de lançar um novo pacote de diversões, que inclui a construção e manutenção de saunas mistas em todas as cidades.
*a título de curiosidade, a suécia é também conhecida pelo nome de pasárgada, popularizado pelo poeta manuel bandeira.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Escondido embaixo do tapete.

Todo mundo sabe que o orkut é uma vitrine. logo, quem mantém uma página quer ser visto, sabido, acessado, sim senhor. mais que isso: quer ter sua imagem conhecida de uma maneira específica, já que ali é possível expor os atrativos e omitir o lado menos interessante do eu. delineia-se uma realidade virtual com base no que se considera bonito, descolado, enfim, digno de não ser escondido embaixo do tapete. já viu alguém dizer que ronca, tem mau hálito ou verme em seu perfil? obviamente não.

Calma, não estou escrevendo isso com um ar blasé de quem (faz de conta qu)e despreza orkut/fotolog/blog. assim como você que me lê agora, me dou ao desfrute ocasional dos prazeres vouyeurísiticos da net. digo tudo isso pra chegar o ponto que tem me deixado com um balão de interrogação flutuando sobre a cabeça há alguns dias: onde acaba a curiosidade e começa a perseguição virtual? que tipo de pessoa acessa todos os dias a página do orkut de outra com a qual não mantém contato algum? o acessado deve interpretar o fato como lisonja ou assédio?
O verdadeiro vasculhador, aquele que acompanha a vida das vítimas eleitas com mais afinco que aposentada noveleira, sabe que sua presença é percebida, mas jamais se manifesta. não manda recado, não se apresenta e, o pior de tudo, finge que não sabe que o perseguido existe no caso de um eventual encontro real. ora, se a pessoa busca informações sobre alguém constantemente, se tem manifesto interesse de qualquer natureza nesse alguém, o que a impede de mandar um oi-tudo-bem-tudo-bom quando uma oportunidade se apresenta? independente das respostas aos meus questionamentos inúteis, o fato é que [orkut]stalker tem um quê de loser - sentar-se na platéia e assistir passivamente à vida alheia acontecendo (quando se tem seu próprio palco não faz muito sentido.)

Sindrome da fração


O amor romântico, esse sonho de consumo que a cultura ocidental nos soca goela abaixo desde que chegamos ao mundo, traz mais tristeza que felicidade aos humanos que me cercam. as pobres criaturas têm a crença inabalável de que sua alegria está escondida no mesmo local não sabido que sua cara-metade, um ser predestinado a fazê-las felizes para sempre.
Acredito que um casal pode encontrar a felicidade no convívio, mas a alegria de cada um vem de sua auto-realização - da sensação de estar onde se quer estar e na companhia que se escolheu. não há certezas absolutas e imutáveis nesse departamento das relações humanas: o homem ou a mulher de nossas vidas é a pessoa que cada um de nós elegeu pra esse posto, e só vai permanecer ali enquanto quisermos e permitirmos, enquanto essa pessoa nos for um bem. sempre é tempo de mudar de idéia, de desamar, de notar que não era bem assim; sempre existe a possibilidade de uma das asas do par mudar de ritmo e desequilibrar o vôo.
Encaremos os fatos: não existe uma pessoa sob medida pra acabar com os ais de cada um de nós. a felicidade reside no eu, é pessoal e intransferível. há afinidades, há olhares pra uma mesma direção e há, sem dúvida, o amor. agora, metade-amputada-de-mim, só um eventual gêmeo siamês e o pedaço saudoso do chico.
Somos ímpares, não metades; o nós formado pelo "você e eu" é mera circunstância.

Charge

"Tenho uma leve tendência a rir de coisas bobas."







Dirão meus lábios


(A vida tem me cobrado que atuar é necessário,
eu poderia ter mil dons. Ser ator não é um deles.)
Só é meu
o pais que trago dentro da alma
entro nele sem passaporte
como em minha casa
ele vê a minha tristeza
e a minha solidão me acalanta.
Me cobre com uma pedra perfumada
dentro de mim florecem jardins,
minhas flores são inventadas,
as ruas me pertencem,
mas não áh casas nas ruas
as casas foram destruidas des de a minha (in)fância,
os seus abitantes vagueiam no espaço,
a procura de um lar.
Instalam-se em minha alma
eis por que sorrio
quando mal brilha o meu sol, eu choro.
Como a chuva leve desta noite,
dirão meus lábios a mesma coisa que trago no peito.
Houve tempo em que eu tive duas caras,
tempo em que as panteras não éram negras.
Hoje em dia, quando me bate a solidão,
procuro parceiros nos travesseiros,
atras do qual se estendem muralhas,
onde dormem trovões extintos e relampagos perdidos,
sonhamos se dormimos e sonhamos quando acordados.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O menino que vê borboletas pela casa


Olha só, lucas, tô sabendo que sua relação com a matilde anda áspera, mas não tenho nada com isso. é coisa de vocês, e não sou ninguém pra julgar e muito menos pra condenar alguém. o modo como te vejo ou o que sinto por você não mudou. só me resta rir de tudo isso, que na verdade é nada, pelo menos no que diz respeito a mim. seu sonho, que também era meu - nosso café das 5 -, aconteceu e foi lindo. continuo te querendo muito bem, tudo inabalado em mim. aliás, pra mim você não tem que pedir desculpas. conversamos aqui e o que eu tinha pra te dizer, que era apenas minha opinião (não sou dono da verdade), te disse com todas as letras. sem estresse, sem mágoa, sem meias palavras. a gente não pensa igual em tudo, o que é perfeitamente natural. não podemos curar as feridas do mundo nem decidir pelos outros. enfim, quanto a mim, continua tudo igual apesar do passo em falso, se é que houve um.


Sinto pela sua treta com a matilde. se pudesse te aconselhar, te diria pra respirar fundo e atropelar tudo isso. acho que, a essa altura, não adianta nadica de nada você sofrer, se desgastar, falar, enfim, dispender energia no caso por um simples motivo: a paixão deixa a gente cega, surda e burra. eu, você, a matilde, o napoleão, a hebe, todo mundo. e não é ruim. tem que viver até a última gota, até acabar. e, se acaba, nem é sinal que não deu certo, mas que se esgotou, chegou ao fim. ponto. ferida sempre vem, mas é o preço. procurando bem, "todo mundo tem pereba"



Há três anos eu tinha um sonho. que sonho era esse? o sonho de te ver, de estar perto de você. não me culpo nem lamento pelo leite que só foi derramado na sua cabecinha excessivamente preocupada. sem drama, sem rancor, sem imaturidade. somos homems fodásticos e não alimentamos picuinhas. temos mais o que fazer do que remoer desentendimentos mínimos. isso é um esporro com a finalidade de tirar qualquer coisa ruim do seu peito e de te fazer levantar essa cabeça paulistana e ver o mundo colorido. eu queria poder te falar mil palavras olhando nos seus olhos pra te dar um pouco de paz, te sacudir e simplificar o que, na verdade, não tem que ser complicado.




Fica bem. e se controla. ou se descontrola. Faz de conta que tô te dando um abraço gigaaaaaaaaante e passando a mão nos seus cabelos perfeitos e rindo muito e te trazendo um café e tudo e tal.







rafa

Cômodos enormes


Entendo meu amigo*. na hora de fantasiar, é mais interessante com os ex que com os atuais. pra ele, com a mão em vai e vem; pra mim, com as mãos passeando pelo CAPS LOCK (que fique claro).


O raciocínio é lógico: pra que só imaginar situações de qualquer natureza quando dá pra concretizá-las simplesmente passando a mão no telefone? pra que só pensar numa pessoa durante uma sessão de sexo solitário se é possível tê-la com você [em cima, em baixo, ao lado ou de costas, nham!]? pra que escrever sobre os pés de uma pessoa se você pode passar horas olhando pra eles e, dependendo dos ânimos, fazendo uma massagem com hidratante de mousse de maracujá?


Pros ex, a gente reserva pensamentos e palavras escritas; pros atuais, o corpo, a alma e palavras sussurradas ao pé do ouvido.


O que muita gente não entende, e que eu e o senhor ali no msn compreendemos muito bem, é que passado fica no passado. pelo menos no plano real. dentro de nossas cabecinhas, todo devaneio é válido, inclusive em relação a arquivo morto. sim, porque quando um relacionamento acaba pra valer, os escombros da relação demolida - lembranças boas e ruins - são automaticamente movidos pra pasta "game over" do coração.



Oras, assim como meu amigo passou noites e mais noites em claro brincando com as sortudas londrinas peladas, eu dediquei anos da minha vida e cômodos enormes do meu castelo pros meus antigos amores. eu, ele, você, a madonna, a dercy, todos nós temos mais é que revisitar essas histórias de vez em quando. pretérito perfeito ou imperfeito, cada um tem o seu e vai ser por ele acompanhado enquanto respirar (ou até que uma improvável amnésia o delete).

Quando dizem; se cuida


A verdade que não quer calar: amor acaba. existe, sim, mas acaba. da mesma forma como surge - naturalmente - chega ao fim. sem cuidado, sem atenção, sem respeito, sem sexo de qualidade, enfim, sem a base de sustentação, a coisa desanda. menos doloroso quando é simultâneo, recíproco o desamor. mas e quando não? e quando um deixa de amar e o outro ainda centra boa parte de sua existência naquele? ah, aí começam as novelas das separações dolorosas.



Separação unilateral é, cá pra nós, abandono, em bom português. praticamente abandono de incapaz, em linguagem jurídica. é um grito de liberdade da parte que toma a iniciativa e uma violência das mais cruéis para o que é deixado. a (agora) pobre criatura, privada da presença do até então homem/mulher de sua vida, passa a se questionar de hora em hora: será que chupo uma gilete ou tomo pequenas doses diárias de candida? obviamente a escolha é, via de regra, uma terceira opção: muito álcool e sexo casual com pessoas aleatórias.



Fora o vazio que fica e preenche as infindáveis horas das semanas (ou meses) seguintes ao final (com o qual o abandonado teima em não se conformar), a pior parte desse tipo de separação é saber que o outro continua vivo, belo e formoso saltitando por aí, e completamente disponível. doem terrivelmente os encontros, casuais ou não, sem a possibilidade de contato físico, sem a antiga liberdade pra usar os apelidos antes carinhosos ou falar qualquer coisa sem importância com toda a naturalidade de quem tem vidas casadas - toda uma artificial falta de intimidade. e vem uma vontade incontrolável de dizer: eu te amo, volta! mas o amor pelo outro esbarra no amor próprio e acaba sufocado nalgum lugar entre o estômago, ainda agitado pelas borboletas, e o coração.



Normalmente, nessa fase, a pessoa que pôs fim à relação costuma ser muito gentil, educada, compadecida com o sofrimento do ser que atropelou. se pouco determinada, pode mesmo ceder ao apelo silencioso por carinho do outro e sofrer falsas recaídas (leia-se: sexo). havendo noites esparsas de flash back ou não, os reencontros são invariavelmente pontuados por aquela frase fatídica: "se cuida".


Convenhamos: "se cuida" é a morte. o apaixonado tende a criar falsas esperanças do tipo "ah, ele se preocupa comigo", mas não é por aí. o outro tá dizendo: se cuida, porque eu não vou mais cuidar de você. ou: seja feliz. entenda-se: seja feliz sem mim, dá seus pulos, porque eu tô muito bem, obrigado, sem você. duro, mas é esse o real sentido da coisa...