terça-feira, 26 de junho de 2012

Tapa na cara!

http://www.youtube.com/watch?v=ndAKLfPMebI&feature=player_embedded



Não julgue. Por que a resposta de quem é julgado pode vir
sem você estar pronto pra recebe-la.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quando saúde se tem, mais que isso é luxo.

tem um momento fatal na vida de qualquer um, que é quando você se dá conta: eu era feliz e não sabia. tá, vou explicar melhor. é assim: você vai levando uma vida não de todo ruim – trabalha, namora, tem lazer e bons restaurantes de quando em quando, enfim, vive até bem. aí, numa bela madrugada insone você se levanta num salto com uma sensação desesperadora de que o melhor da vida já passou. é pra matar o coração.

ilustremos (não que seja o seu nem o meu caso): dois ou cinco ou sete anos atrás você não dava conta de seus compromissos. poderia ir a um bar diferente a cada noite da semana com a certeza de que valeria a pena de alguma forma. nessa época você tinha dinheiros, conhecidos aos montes, um caso aqui e outro ali (e outro mais além), um fígado bonzinho e uma casa em local estratégico. então, o fato de a vida não fazer o menor sentido simplesmente não se tinha evidenciado diante de seus olhos.

nesse tempo, que hoje parece tão remoto e impossível, sua existência era uma festa. horários, obrigações e moral eram flexíveis. você até gostava de suas maiores preocupações, que consistiam basicamente em sofrimentos românticos premeditados. tá, esse exemplo não se aplica a homens héteros, de maneira geral. nem a pessoas centradas, crentes e decididas. ou seja, se aplica à maioria de nós. enfim, prosseguindo: nessa época você vivia livre e leve, sem se dar conta de que era feliz.

chega, e então, a fatídica madrugada insone a que me referi. você se vê absolutamente sozinho numa cidade estranha, ridiculamente enfiado num roupão felpudo e hesitando em se servir de uma taça de vinho porque amanhã cedinho tem que estar trabalhando. assim se opera a trágica confirmação: ah, como eu era feliz… noutro tempo estaria na enésima taça/dose sem a menor preocupação, poderia acordar a qualquer horário no dia seguinte e com certeza estaria me divertindo nesse exato horário, com perspectiva de melhora ao avançar da madrugada. ou seja: como foi que eu vim parar aqui?

meia hora (e meia garrafa) depois você com certeza estará cogitando fugir pra gringa. não importa pra onde nem pra fazer o quê: barcelona, londres ou paris; servir mesa, fazer strip ou uma pós. o fato é: nesse exato momento na sua cabeça confusa, talvez pelo mal funcionamento do seu fígado empoeirado, esse agora não faz o menor sentido. quando é que sai o próximo voo pra um romance de verão.

chego à conclusão que sou um grande molóide. nada me impede de ir, seja lá pra onde for, em vez de me contentar com doses homeopáticas de vinho noturno pra tapear a saudade do que já foi e fui. pode ser que as coisas melhorem, que tudo se ajeite sem grandes mudanças. ou pode ser que eu pegue aquele voo. cenas do próximo capítulo, que mal posso esperar pra estrelar.

2012


Cenas do próximo capítulo, que mal posso esperar pra estrelar. Rafael Amorim...

Uma festa acabou...

hoje pensei seriamente em te ligar. tá, não foi seriamente, mas pensei com muito carinho em você. eu sempre penso com todo o carinho do mundo em você, embora as regras sociais me indiquem que não deve ser assim. mas o querer bem a gente não escolhe, não tem razão, não precisa fazer sentido. embora sinta sua falta eu com certeza não saberia o que fazer com a sua presença. nosso passado é cinza, nossos presentes são distintos e nosso futuro provavelmente não inclui outro encontro.

sua falta se fez mais evidente quando outro dia vi um anúncio de uma empresa de transportes com um nome que eu jurava ser seu sobrenome. um filme passou na minha cabeça, e tive muita vontade de estar com você de novo. só estar, sem falar nada relevante, talvez rir como sempre rimos, fazer alguma dancinha debochada na noite paulistana, tomar qualquer drink pra conversa fluir melhor. me deu vontade até de ser triste perto de você, porque você sempre pareceu entender minhas fugas de mim, e minhas entradas e saídas e despedidas. mas te tenho como um espelho torto.

vivemos na mesma cidade, e nos vemos menos do que quando milhares de quilômetros nos separavam. aliás, não nos vemos. não sei da sua vida, mas sinto que ainda sei tão bem quem é você. não acho que voltaremos a tomar expresso atrás de expresso num café qualquer. não penso que tomaremos em segredo cervejas em são paulo num dia de semana qualquer, mas me vem uma sensação boa ao pensar que existe essa possibilidade, ainda que remota. é uma falta de não sei o que, porque nunca tivemos realmente um relacionamento próximo. talvez falta do que poderia ter sido.

no fim das contas, acho que tenho você como uma possibilidade, uma bela possibilidade congelada noutro tempo. você ficou em mim como uma linda fotografia de sorriso com olhinho sorrindo junto. e o cheiro que ficou é o daquele sabonete azul com o de cigarro. tudo muito nostálgico, mas não de uma forma trágica: é o tipo de nostalgia que me faz sorrir bobamente. é assim que eu te definiria em mim: um delicioso sorriso bobo.

se tudo fosse diferente, a gente passearia por feirinhas de antiguidade nos finais de semana e gastaria horrores com coisas inúteis, iríamos a shows presepada pra não lembrar das apresentações no outro dia, saborearíamos os melhores camarões e crepes e contra-filés, enfim, viveríamos aquela possibilidade de encontro. não deu. pena.

o tempo passou na janela e a gente nem viu. ilusões perdidas, sonhos inúteis, xícaras empoeiradas sem café de amanhã para ser servido – me sinto à vontade pra me dar ao luxo de ser feliz ao pensar você, que faz parte daquele algo que sempre faz falta, daquela ausência que sempre existirá e será sentida.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O oposto de dizer adeus


Eu já te disse que tô cansado. Que não posso mais correr na beira da praia pela tarde, que não sinto mais minhas mãos suarem quando o brasil faz gol. Eu já te disse que sem teu corpo nas manhãs de chuva eu sinto frio. sem você os meus domingos são preto e branco e eu não posso soprar loucurinhas no teu ouvido. Mas tudo isso é ridículo. É tão pouco. Levei meu corpo ao funil da 25 de março, comprei um Temaki, roubei um botão da rosa da minha vizinha e não sonhei com você. Não sei, mas acho que vou imprimir as nossas fotos digitais. e vou fazer 10 cópias, só pra colar teu sorriso no espelho do banheiro. Bem perto dos trezentos bilhetes que já deixei pra você. Ei, me escuta, pintei um quadro de cavalos brancos do jeito que você gosta. só que usei teu batom importado, eu gosto de sujar minhas mãos com teu cheiro. Também vou imprimir a foto de nós dois na noite de São paulo, só pra colar tua safadeza no retrovisor da vida. Daí quando eu olhar para trás, vou sempre lembrar o dia que você entrou na minha vida. Em nossa casa. Na vontade que eu tenho de bater o carro e sair em busca de ti.
Mas ontem eu sonhei com você. E durante todo o dia eu tenho dejavus. Tenho medo de ser a última vez, daí escrevi na palma da mão onde te encontrar. Nosso último café da manhã foi no chão do apartamento do teu irmão. Tinha pão de semolina do jeito que você gosta, regado a leite de vaca e vinho. Muito vinho. Mas parece que você não estava bem. Que arrumou uma desculpa pra voltar ao trabalho. Rafinha, não sei, mas volta logo porque o vidro do mertiolate está acabando. Um chumaço de algodão em teu corpo faz o infinito trazer calor e arrepios na minha orelha. volta logo porque eu botei o churros pra esquentar e você sabe que eu sofro por amor. não tenho vergonha, o retrô tá na moda. toda madrugada minha dor sai na rua atrás de ti. Atrás do instante em que vi teu seio e sorri. Um chumaço de algodão em álcool pra contrair nossa musculatura. O calor gelado da primavera. se o mundo acabar quero estar ao seu lado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Enquanto durar a paixão que dure a vida!


CONSTA nos astros, nos signos, nos búzios.
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás.
Serás o meu amor, serás a minha paz.
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas.
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais.
Serás o meu amor, serás a minha paz.
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar.
Mas se o destino insistir em nos separar.
DANEM-SE! os astros, os autos, os signos, os dogmas.
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos.
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos.
Se dane o evangelho e todos os orixás.
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela.
Consta nos mapas, nos lábios. no lápis, nesse teclado que escrevo essa tamanha certeza.
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz.
Serás o meu amor, serás a minha paz.

Pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez.
Que recolhe todo sentimento e bota no corpo uma outra vez. Te amando devagar e urgentemente.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...


Prefiro, então, partir a tempo de poder chegar ao paraiso.

Depois de me perder, te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza, aonde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguiremos.
Como um encanto ao lado de Deus.

terça-feira, 12 de julho de 2011

É preciso dar um jeito meu amigo.


Eu cheguei de muito longe, e a viagem foi tão longa, e na minha caminhada obstáculos na estrada, mas enfim aqui estou.

Mas estou envergonhado com as coisas q eu vi,
mas não vou ficar calado no conforto acomodado, como tantos por aí.

É preciso dar um jeito meu amigo.

Descansar não adianta, quando a gente se levanta quanta coisa aconteceu.

As crianças são levadas pelas mãos de gente grande,
quem me trouxe até agora, me deixou e foi embora como tantos por aí.

É preciso dar um jeito meu amigo.

Descansar não adianta, quando a gente se levanta quanta coisa aconteceu..

quarta-feira, 16 de março de 2011

São paulo 16/03/2011


Eu creci ouvindo as meninas da escola dizer que gostavam de ir a aula,
as que ficavam grudadas o dia inteiro, eu nuca gostei de nada convencional,
e nunca gostei de ir a aula. Nem nasci grudado em ninguém.
Eu sei que os meus pais sempre viajam na época do natal, eles saem
de férias todo fim de ano, ai eu imaginei todos juntos sem mim, felizes sem mim.
No fundo eu tenho muita saudade deles, principalmente da minha mãe.

Mas eu não me arrependo de nada, nem do sexo nem das drogas que eu consegui
arranca da minha vida. Talvez se não fosse desse jeito eu não teria amadurecido,
aprendido a me cuidar, não teria aprendido a gostar de mim do jeito que eu sou,
hoje eu tenho certeza que foi com uma proximidade com a morte que eu aprendi a não julgar.
Aceitar as pessoas como elas são, como elas conseguem ser. Conheci todo tipo de gente,
boas e mas, as melhores delas foi o Paulo e a Lu. É por isso que eu to aqui escrevendo pra você seja lá quem você for, pra desabafar, depois de tudo isso eu sei que eu fiquei menos egoísta.

http://www.youtube.com/watch?v=rpYrN1XJSUo&feature=related

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mundo contra a aids




Ninguém sai de casa falando assim: hoje eu vou entrar para a estatística de hiv.
Todo mundo que ta lá, não se achava que um dia estaria, né! então, que as pessoas
pensem um pouco nisso. A gente ta vivo, então quem ta vivo, ta vivendo, ta sempre
em algum risco. E a gente precisa abrir os nossos questionamentos, e a gente
precisa pensar mais, no que é que a gente quer faser da nossa vida, como é que
a gente quer viver.

Eu acho que tem tudo aver assim, o respeito que eu tenho por mim, o respeito que eu
tenho pelas pessoas, sem a questão de culpa-bilidade, por que sexu todo mundo faz,
e muito mais sem preservativo, fazem sim. E isso é ipocrisia dizer que todo mundo
se cuida, por que não se cuida. Então eu acho que a maneira como você se coloca,
como você se respeita, como você se aceita, é a forma como as pessoas vão te respeitar
ou não, você tem que contar pra você mesmo primeiro, aprender a viver, pra passar
isso pra alguém de uma forma segura e tranquila.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Carente




Encontro uma velho amigo, nessa manhã abafada, nunca o vi tão cheiroso.
Ele me abraça ri e sorri e me abraça. Seu perfume empregnou meu dia.
Fui deitar sentindo meu amigo nos cabelos.

tantas coisas

Queria ter acordado em paraty, ou no rio ou em paris.

Queria ter acordado em qualquer lugar longe daqui.
Medo de sentir falta daquilo que desconheço.
Tenho o dia inteiro pela frente.
Um convite, um livro e uma caneca de café.
Tenho amigos que vou ver hoje, uma música que
gosto de ouvir.
E tenho a sensação de que já estive melhor do que agora.
Tenho sono, louça pra lavar, cama pra arrumar roteiro pra fazer.
Tenho raiva de algumas pessoas, saudade de oltras.
Tenho tantas coisas que estranho:
As vezes felicidade não tem fim e tem dias que a tristeza não tem tamanho.

(Diana Geremis)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Esse homem





De manhã cedo esse menino se conforma,
bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. Como esse rapaz não se esquece de pedir por si,
Por sua paz e pelo pão.
Depois sorri, meio sem graça,
e abraça aquele homem, aquele mundo,
Que o faz assim, feliz!
De tardezinha esse menino se namora,
Se enfeita se decora, sabe tudo, não faz mal.
Ah, como essa coisa e tão bonita...
Ser alegre, ser jovem,
isso tudo é muito bom!

E chora tanto de prazer e de agonia,
de algum dia, qualquer dia entender de ser feliz.

De madrugada esse menino faz tanto estrago.
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar..

Ah, como essa louco se esquece,
quantos homens enlouquece,
nessa boca, nesse chão,
depois parece que acha graça e
agradece ao destino aquilo tudo
Que o faz tão infeliz...

Esse menino, esse rapaz ou esse homem,
em que esbarro toda hora!
Num espelho casual.

É feito de encanto e tanta luz.
De tanta lama e tanta cruz.
Que acha tudo NATURAL.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Closer perto demais


O amor é um acidente esperando para acontecer, e se você acredita em amor
a primeira vista, nunca para de procura-lo!

domingo, 19 de setembro de 2010

Amante da lua.



Me faça voar para a lua e
me deixe brincar entre as estrelas.
Me deixe ver como é a primavera,
em Júpiter e Marte
Em outras palavras, segure minha mão.
Em outras palavras, querido, me beije.
Encha meu coração com música
e me deixe cantar para sempre.
Você é tudo o que eu anseio,
tudo o que cultuo e adoro.
Em outras palavras, por favor, seja real.
Em outras palavras, eu te amo.

São paulo y noche para mí. Rafatchello.


La noche no quiere venir,
yo quiero estar cerca de ti,
y poder robarte un beso,
y si no sabes quién es,
y poco a poca dejaré,
que me vayas descubriendo,
quiero estar cerca de ti,
cuando rompa el amanecer,
o cuando se esté oscureciendo.

Tu amor me ha robao el alma,
tu amor me ha robao el sueño,
y a mi me dejó sin nada,
de la ilusión me mantengo.

Soy cautiva de tus besos,
que a mi me queman por dentro,
mi ilusión y mi alegría,
eres toíto lo que tengo.


Y paz de amor se oia y una rosa seré ,
para ti y en mis sueños respondia ,
nunca te olvides de mi.

sábado, 18 de setembro de 2010

No fim do dia..




Só quero saber do que pode dar certo.
Não tenho tempo a perder.
Já tive medo do escuro..
Hoje no escuro "me acho, me agacho e com um copo de martini fico ali.

Uma boa musica do meu mp3.



Se um dia eu deixar você baby... você pode dizer que eu te disse!

E se eu te machucar... Você sabe que eu me machuquei também.

É que todo o caminho para um homem exercer .
Você acha, o que eu quero o meu amado foi .
Disse eu te amo .
Mais do que você jamais saberá .
Mais do que você jamais saberá .

Quando eu não estava fazendo muito dinheiro .
Você sabe onde foi o meu salário .
Você sabe que eu trouxe para casa para o bebê .
E eu nunca gastei um centavo vermelho .

É todo o caminho para um homem exercer .
Você acha que eu quero o meu amado foi .
Disse eu te amo .
Mais do que você jamais saberá .
Mais do que você jamais saberá .

Eu não estou tentando ser .
Apenas qualquer tipo de homem .
Eu só estou tentando ser alguém .
Você pode amar, confiar e entender .
Eu sei que pode ser .
Uma parte de você que ninguém podia ver .

Eu só quero ouvir, a te ouvir dizer .

Estou só a carne e o sangue .
Mas eu posso ser tudo o que você procura.
Eu posso ser o rei de tudo.
Ou apenas um grão de areia .

É dessa maneira que um homem pode continuar .
Você acha que ele quer o que seu amado foi pouco .

Já senti muita falta de alguém, mas nunca disse.

Eu nunca disse o essencial, por que o essencial a gente nunca diz.
E eu nunca disse que;
O Paraíso é... Onde quer que estejamos juntos.

Em cada um dos nossos corações quando estamos juntos.

(São paulo 19/setembro/2010 02:17hs. Rafis.)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gente praticamente minha biografia não autorizada!




A única diferença é que minha cafetcheena nunca usou óculos e a minha tatoo de eshcorpião é BEM MAIS PRA BAICHO!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um passeio sem rumo


Meu coração está perdido, e não tenho um mapa entre as mãos. melhor que isso: tenho guardada no bolso passagem só de ida pra lá. que minha partida seja suave, e que se me vier vontade de ficar por lá eu encontre um porto. que tudo se ajeite aos poucos, que seja leve, que seja adocicado. que eu não tropece em qualquer sonho deletério e, se tropeçar, que me levante sem maiores estragos. que aqueles sorrisos permaneçam iluminando meu caminho, seja ele mera passagem ou destino final. sem tumulto, sem sobressalto, um passeio sem rumo certo nem data pra terminar.

meu coração perdido não tem pressa de se encontrar.

meu medo de ser assim pra sempre.



De repente te pegas acendendo um cigarro na ponta do outro que foi aceso na ponta do anterior e assim sucessivamente de maneira que já perdeu a conta das bitucas e das tragadas profundas e das horas e horas que te encontras nesse espiral de incerteza e falsa calmaria e suspira devagaaaar.

Com essa gente de cabelo cor de fogo que te remete a lugares onde nunca esteve e pra onde gostaria desesperadamente de tele transportar sua alma, aquela que já não tem paz há infinitos dias e noites, semanas talvez, mas já passa das cinco, hora de abrir os trabalhos com o primeiro drink da noite que ensaia sua chegada, hora de amaciar sua alma pra aproveitar mais e melhor aqueles breves instantes em que o céu muda de cor a cada minuto e que, bem sabe, só de abrir os olhos e respirar o fresco, tudo parece estar no seu exato lugar, não importa muito a latitude ou a longitude em que te encontres levas a doce certeza de que o caos sempre cessa momentaneamente nos anoiteceres como que por encantamento e, infantil, repete mentalmente passes de mágica empoeirados da sua infância na esperança de que aquele breve presente se prolongue mais e mais, de que os ponteiros da sua alma congelem ali, onde está constantemente anoitecendo.

Sim, anoitecendo, porque já não presencia qualquer tipo de amanhecer cheio de graça de que falam os poetas desde sabe deus quando, e isso não tem importância desde que te aceite como este ser feito de estranhamentos e fugas constantes, precário e altamente inflamável, és pólvora à espera de qualquer faísca pra te consumir em chamas, ou de algum líquido pra te encharcar e assim te tirar da beira do abismo em que caminha bebada sem pára-quedas nem rede de proteção pra amortecer a queda que fatalmente virá pra te redefinir num amontoado de cacos cortantes, partes de um todo que jamais será recomposto da mesma maneira que antes, o que não te desagrada de tudo, porque pode ser cômodo te reconstruir em figuras inesperadas e indefinidas sem nada esperar ou desesperar, e pode no final das contas sair algo bonito, flor radioativa pra enganar algum desavisado que te acolha delicadamente e aspire teu perfume mortífero iniciando a própria morte lenta-linda-dolorosa a que o conduzirá mais esse brevíssimo navegar impreciso teu, pois só sabe ser diva enlouquecida, contramão, avesso, é o equívoco macio capaz de fazer naufragar tripulações inteiras em mares de risos e falsos festejos, é a escolha mais óbvia, a mais sedutora, a inevitável e, no entanto, é sempre um erro de cálculo para os inocentes, o atalho mais curto para o beco sem saída de uma tragédia a tragédia que é você.

E do belamente trágico se nutre e segue acendendo cigarros em pontas de cigarros acesos em pontas de cigarros anteriores a cada anoitecer e a cada engano sutil e a cada afago porco que ofereces quando pedes para que fiquem, para que cuidem de ti, como se fosse questão de mero reparo toda essa bagunça em que se derrama cada vez que alguém ultrapassa tua linha de segurança, e pela enésima vez jura o eterno e o incondicional a quem só legara confusão e faltas de ar a cada breve movimento seu, e assim se confunde cada vez mais na espessa lama de culpa e miséria em que se afoga cedo ou tarde, pois cedo ou tarde não haverá resposta aos teus pedidos de socorro e de colo e de aconchego e só te sobrará a última queda, a queda definitiva rumo ao inferno particular que cultivaste com cada mentira que disse, com cada olhar que desviaste, com cada promessa que quebraste, com cada frase que não terminaste.

Doces águas do equívoco



Amor romântico é mais um dos clichês absolutos. Borboletas agitadas no estômago, sorriso bobo permantente, drogas cerebrais deleitando e amolecendo o corpo, necessidade inexplicável de estar próximo. Você sabe que vai dar em nada, é sempre assim, afinal, mas nem por isso deixa de se jogar de corpo e alma no precipício da vez. Sim, é sublime, é cor-de-rosa, é novidade para o ritmo do coração, mas sempre é mais um romance, mais uma paixão, talvez mais um amor, mas que inevitavelmente vai te quebrar as pernas e apodrecer o fígado ao final. Ou não, diria você, pouco escolado nas armadilhas da vida aos pares. Basta olhar para os lados e você verá que esse ou não não cabe. É provisório, conforme-se. Nunca é pra sempre, beibe.

Eu já acreditei em abraços-e-carinhos-e-beijinhos-sem-ter-fim. Já enxerguei amor onde havia um cronômetro em contagem regressiva num tic-tac ensurdecedor. Já elegi o melhor sexo do mundo até mudar de idéia ao último grande encontro de corpos (a propósito, sparkling: é esse o adjetivo, nessa língua, assim sonoro, remetendo a fogos de artifício subvertendo o céu norturno, é essa a palavra indicativa de perigo quando lhe vem entre lençóis). Eu já mudei os rumos da minha vida por alguém e já acreditei em ser feliz para sempre como nos contos de fada. Balela. É momento, circunstância, romance de folhetim. interesses mútuos até que a maré das circunstâncias tomem rumos opostos e afoguem a parte que fica pra trás, sim, alguém sempre vai encher os pulmões de água salgada até recuperar o ritmo da respiração pra se curar apesar das cicatrizes que as tragédias amorosas deixam desenhadas na gente. Assim sendo, depois de certo tempo a gente passa a enxergar no espelho uma pintura impressionista mal feita, torta, derretida, sem sentido algum. E aí a gente se fecha, até que algum desavisado tão borrado quanto a gente ache graça na bagunça em que nos construímos/destruímos e outro encontro temporário se arquitete.

Imagino que seja uma noção comum, essa, a de que já estamos tão avariados que a própria avaria, em sua totalidade, acaba nos deixando mais seguros. Será? existirá um ponto de extrema secura em que nada mais pode nos magoar? haverá o dia em que a redoma de proteção, a bolha dos avulsos será de fato eficaz? cheguei a adotar essa possibilidade como verdade, mas os rumos do coração a gente não escolhe, mesmo sabendo o mecanismo dessas histórias, sempre a dor arenosa do deserto nassariano pra finalizar mais um equívoco. E a última queda é sempre a mais doce, a que escorre mais densa, lenta e prazerozamente, a que aos poucos nos consome a ponto de nos levar a acreditar em tudo pra logo após desacreditar no mundo e desistir temporariamente do conforto de não ser só.

Talvez realmente não possam o tempo e os caminhos tortos que a gente toma corromperem nosso consurmir-se avassaladoramente em amores incertos, talvez a lucidez seja inseparável do tormento, talvez. Pode ser que só assumindo riscos e apostando inveteradamente na frágil deontologia do amor sejamos felizes e completos, ainda que aos pingos. E mesmo você que já nem sabe quem é, tantas as vezes que se reconstruiu do aparente nada, há de concordar: só os bichos são realmente fiéis, digo, cedo ou tarde alguém que lhe pareça divino vai te fazer mais uma vez perder o prumo e apostar as fichas que você já nem sabe se tem numa possibilidade, sim, uma mera possibilidade. E quem não quer? eu digo sim, eu quero sins.

Fazendo a linha Paris

O mínimo do homem dos sonhos: se arruma em quinze minutos, não entra em todas as lojas querendo comprar tudo, não é vegetariano, viaja só com uma mala, não tem ciúme até da própria sombra, tem orgasmos múltiplos e nunca nega sexo, não tem os pés gelados nem ciúmes até da própria sombra e não ronca nem arrota alto. enfim, não existe.

O homem erra quando numa noite de sexta-feira em são paulo ou em qualquer outra metrópole ele se entrega ao ritual de se montar. Para os desavisados, tal ritual consiste em, perto das dez da noite, abrir uma cerveja trincado ou servir uma dose de uísque com guaraná zero, colocar madge ou lady ga-ga-ga-gaga pra berrar no laptop e se perder entre jaquetas e maquiagens diversas. depois de alguns goles a trilha sonora fatalmente evolui pra she wants revenge. Porque, no caso específico de são paulo, as ladies bagaceiras estão em contagem regressiva pras red flags and long nights que a balada promete, e todos os trinta e dois pares de sapatos supreendentemente encontram-se largados pelo quarto/closet. Sim, isso é sempre um erro. se não, vejamos.

Que tipo de ser se dá ao trabalho de pintar a cara durante vinte, trinta minutos, sabendo que a produção mal vai durar até a porta do destino semi-final (a baladinha), e quem dirá até o implicitamente planejado final: alguma cama bem servida? qual pessoa com um mínimo de amor à própria coluna optaria voluntariamente por se equilibrar durante as próximas horas sobre um taco de cinco ou sete centímetros com os dedos espremidos num bico fino? o que leva alguém homossexual a se arrumar pra impressionar mais seres do mesmo sexo do que os machos supostamente alfa a serem catados por aí? até porque beesha phina que é bem phina des-pre-za esses tais ditos alfas grandalhões por bem saber que o alfabeto é vasto, que homem é cego pra delineador e que a cueca nunca é devidamente apreciada quando o último capítulo da noite é realmente bem aproveitado, o que costuma acontecer com gamas ou ômegas, em regra absolutamente desligados pra detalhes imperceptíves ao toque, ao olfato ou a um olhar menos intimista.


Não há justificativa racional pra produções que levam mais tempo pra serem executadas do que duram após finalizadas. Sorte dos não alfas, que pulam dentro de uma calça dois números menor, de uma camiseta de mil novecentos e noventa e kevin e deixam o cabelo como está desde segunda-feira pra, simples assim, terem garantidos os olhares de ao menos meia dúzia de donas glorinhas fogosas durante a noite. E sorte das gays que confiam em seu taco a ponto de saírem de casa depois da meia-noite sem salto nem quilos de base e pó (pó compacto, diga-se). Na verdade esses bofescandalos têm a vantagem de não se transfigurarem durante a noite, de não parecerem zumbis com olheiras do tamanho das bochechas após as três da manhã, de minimizarem o risco de uma eventual queda alcoólica, de poderem acordar em qualquer local e tomar um banho sem medo de matar alguém de susto ao terem como escudo apenas uma toalha. Já as antas, digo, antes montadas… Tá, têm lá seu charme decadente, mas ainda assim um crachá da irracionalidade feminina. vai entender…

Vai ter volta!


Aqui se faz aqui se paga. agora vai, carrega sua cruz, faz dela seu escudo e sua arma contra as próximas ciladas que evitará, derramando mil possibilidades de doçura pelo chão. eu não vou te salvar, não vou te carregar, não vou te mostrar o que seus olhos não quiseram ver. parei com isso há algum tempo, porque eu re-al-men-te mereço mais. pela última vez: passou, morreu, morri também pra você. já me fui mil vezes, e sempre deixei evidente que você nunca veio na minha bagagem. sobrei em você como mais um motivo pra que deixe os risos passarem, abraçando aquele papel de vilão que tão bem te veste. e se for pra se fechar, melhor então nem ir, para o bem das desavisadas.

Hoje por acaso encontrei uma fotografia empoeirada nas suas coisas virtuais. foi você quem procurou, e também por isso só pude sentir pena. veja bem: deus não escreve certo nem errado, e as linhas podem ser retas tortas, o que só depende da escolha de cada um. se você faz questão de viver num mundo de equívocos deliberados, engole o dia seguinte e as infinitas ressacas morais e físicas das drogas que você faz e/ou consome. no fim das contas, ninguém se importa. é cada um por si e o tempo contra todos, levando o que a gente deixa de colher na hora certa – e sempre há a hora, o momento, aquele ínfimo respiro em que um olhar ou um toque é capaz de mudar cada existência.

Aahhhhh, a fugacidade dos instantes decisivos… se você não se atira quando há uma cama quentinha pra amortecer sua queda, o próximo salto muito provavelmente vai levá-lo a um tapete de cacos cortantes que você mesmo espalhou. conforme-se: o todo é feito de pequeninos pedaços, e qualquer história a dois é uma colcha de retalhos rasgadoscosturados por dois. o rock acabou, meu bem. nada pra sentir, dia após dia, ausência após ausência, finais de noite vazios um após o outro. pode ligar sua tv no jô sem esperar uma aparição pra te dar um mínimo de conforto ou aconchego. cerveja após cerveja, canção após canção, banho de mar após banho de mar, sempre lhe restará o espaço vazio que cabe àquela projeção que já não sou. o mundo não parou de girar por um segundo sequer desde seu primeiro não – nem desde meu desencanto.

Tem volta, sempre. olha pra esse espelho e aprende. ou continua se escondendo atrás da sua cruz de papelão. talvez sejá esse o karma que você faz questão de alimentar a cada levantar da cama nas suas manhãs – mas eu já não me importo, já não quero conhecer o alguém por trás dessa máscara suja. faz anos não quero suas mãos em mim. e por isso, dadas as circunstâncias, tenho que me repetir: sinto pena, só pena. mas esse leve pesar não me é um caminho pra te confortar num abraço e dizer que vai ficar tudo bem. não vai. não pra você. o caminho vai ser longo, e, ao que tudo indica, suas entregas sempre serão fora de hora e de contexto. pelo que você é, pelo que você deixa de construir, pela sua falta de bom senso.

Sabe que, nesses desencontros da vida – e justamente por causa deles, hoje sei – houve um tempo em que minha curiosidade em relação a você era uma paixão? é claro que você sabe. e sabe que, apesar de até pouco tempo atrás eu ter utilizado como estratégia de sobrevivência sentimental os tais “tampões de afeto” você nunca sequer chegou a ser cogitado como um? estranho, dada minha confessada e suicida carência. talvez sua amargura fosse um preço muito alto pra todas as merdas que já fiz, a maioria delas sem querer e sem pensar, e talvez ninguém mereça tamanha complicação ao longo de uma existência. e olha que um tempo atrás eu adorava problemas, era chegada em qualquer tormenta capaz de sacudir minhas estruturas. acho que, no seu caso, meu senso de auto preservação, que não é lá muito desenvolvido, falou mais alto no meu inconsciente. nem meu imundo coração merecia tanta bagunça.

Apesar de todos os seus pesares, que definitivamente não são meus, esse pequeno episódio me entristeceu. sem fazer o menor esforço posso visualizar perfeitamente o quadro de molduras podres em que você está estacionado – sim, eu já estive aí inúmeras vezes. desejo a você fé e paz e uma reviravolta nesse seu jeito quase que sombrio de ver o mundo das relações a dois. te desejo pulmões razoavelmente limpos, fígado em pleno funcionamento e nariz sem escoriações. te desejo tudo de bom e o alívio do esquecimento, enfim. porque mesmo após a maior das tempestades o mundo pode se fazer um bom lugar pra seguir.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O monstro dentro de mim.


Há um monstro dentro de mim.

Ele aparece principalmente quando você está por perto.

Observa pelos meus olhos os seus gestos, me retorce a barriga, ainda plena, num nó de fúria e sussurra, de mim para mim, as lições que eu deveria lhe dar.

Esse monstro me mata, amor. E mata devagar. E ele já se mostrou a você:

Na primeira vez, éramos somente nós, e eu me abri, revelei meu caráter mais íntimo, e lhe mostrei o que existe dentro de mim. Você não disse nada. Mudou o assunto, comprar cerveja, alugar um filme, mas vi nos seus olhos aquele desassossego de quem tenta enganar o medo.

Na segunda vez, tivemos platéia. O erro, o grito, os queixos esmurrados, o escândalo. Lembro que quase sorrindo dos olhares chocados no bar. Lembro de você quase chorando das minhas ameaças, mas não me deixe, não, amor, eu serei bom…

Foi só do muito que eu o quero que consegui fazê-lo ficar. Recolhi o demônio ao meu calabouço mais profundo, o soquei minha alma a dentro, embalsamado. Então, comprei, flores, perfumes, momentos de calmaria e gentileza, e olhe, amor é a nossa música tocando no rádio. Dancemos.

Chorar, nunca. O monstro permite nunca o lamento e sempre o ódio.

Mas o monstro cochila e pisca os olhos sonolentos, muito vivos, para mim. Ele me diz que eu devo ser severo. Para puni-lo por tudo o que ainda não fez. Para não deixar que você me engane. Você me engana, amor? Com os abraços e os beijinhos e os amigos que na sua boca são apenas amigos e talvez na sua esperança sejam mais? Você me diz que não há malícia, não há maldade neste mundo a não ser em mim, mas ilude-se e me ilude consigo: há interesse nos gestos casuais desses sujeitos que te cercam.

Você é belíssimo. Belo demais para ser de um homem só. Belo demais para que o homem que te tem suporte dividi-lo com outros.

O monstro que mora em mim vigia seu domínio, querido.

Você e eu?

Suas vítimas.

Seu nome?

O ciúme.

Esse monstro me mata, amor. E, um dia, matará a nós dois!

Diga que me quer namorar, criatura do céu. E a gente faz amor quando tiver que acontecer.

Quando duas pessoas resolvem ficar juntas elas fazem um acordo. As regras variam mas basicamente é algo assim: você fica comigo, eu fico contigo, me segura pra eu não cair que eu te seguro também, me faça sorrir quase sempre e me deixe chorar de vez em quando que eu farei o mesmo por você. Parceria. Sociedade.

Feliz

Felicidade não tem receita. Que bom!
Pena que, mesmo assim, tem gente que se choca comigo só porque eu me atrevo a tentar algo diferente.
Eu gosto das minhas estranhezas. Gosto dos meus vícios. Das minhas porquices.
Gosto do meu entusiasmo diante de “bobagens” e da minha absurda sensibilidade ao raro, ao amor, à beleza.
Gosto de ser besta e romântico, ainda que às vezes me envergonhe de gostar, pois não há quem pague, nem apague, minha emoção. Gosto até da minha familiaridade com o que há de mais sinistro e podre em mim, nos outros também. Gosto da minha teimosia, do meu orgulho, da minha ranzinzice.
Gosto dessas coisas todas não porque preciso delas para me sentir diferente.
Gosto delas simplesmente porque elas me tornam o que sou.

Diferente? Sei lá. Isso importa?
Eu não encomendei “diferente”. Só pedi “feliz”.

Essas esquisitices todas me fazem feliz. E eu não saberia ser feliz de outro modo.

Recadinho pro preconceito: ME ERRA!

(A foto é de 2009, do celular, a escrita é de 2006 tirado
de uma agenda escolar da minha adolecencia).

Alma

Hoje estou em casa gripado, sem fome, sem ânimo e sem saco. Apesar da nhaca, um curta-metragem animado por um animador da Pixar conseguiu dar uma arregalada nos meus olhos de ressaca. Mas atenção: a obra não é apenas linda, é também de humor negro e um pouco previsível. Apesar disso, rola aquele desespero por saber o que vai rolar…




Que não cruze o meu caminho quem me despreza.


Eu teria perdoado sua beleza, não fosse sua inteligência. Poderia ignorar sua inteligência, não fosse sua beleza. Poderia esquecer a ambas, não fossem seus múltiplos talentos. E a este eu até faria vista grossa, não fosse sua personalidade bondosa, vibrante e magnética, capaz de se compadecer sem se arrasar, amar sem se perder, doar sem ciume, iluminar tudo à sua volta sem esgotar o próprio brilho.

Eu teria perdoado qualquer dessas coisas. Mas não todas elas juntas. Era pedir demais.

Por isso, depois de finalmente arrastár ele para a cama e o questionar por horas, apertei com força a echarpe de seda em torno do seu pescoço até ele parar de se debater.

Foi melhor assim. O mundo não estava pronto para ele.

Nem eu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ex-namorado.


Pareçe sabe o que?
Parece que eu peguei uma camisa muito especial, (um armani).
E emprestei pra um amigo.
Ai esse amigo, vestiu a camisa e a camisa ficou muito mais bonita nele.
Do que ficava em mim...
Ai ele foi pra um festão, sujo a camisa, deichou cair vinho na camisa, lambuso a camisa.
E a camisa. Continuo muito mais bonito nele do que ficava em mim.
Se eu me arrependi de emprestar o meu armani pra um amigo???
Não! não me arrependi.
Mas ele tem que cuidar muito bem né, pra merecer.
Se não? Eu pego de volta!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Antes de trabalhar



Acordo cedo,
Com pé no freio
O mundo inteiro começa a girar

No banheiro
Olho no espelho
E crio coragem
E ponho pra andar
Carteira, chave no bolso
Tá carregando, meu celular
Acredita,
Ninguém apita,
Quem vai querer hoje me segurar

É,
Eu tô na vida é pra virar,
Que a felicidade vem,
Eu tô sonhando mais além

Não,
Nem vem aqui me atazanar
Se eu tô rindo é pra você
Eu não fui feita é pra fingir

Eu tô ligada é no amor
Que se tem pra viver.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Couro e jeans, glamour de garagem.



Nós somos o público, nós estamos che-chegando.
Liguei meu flash, é verdade, preciso daquela sua foto.
Isso é tão mágico, nós seriamos tão fantásticos.
Couro e Jeans, glamur de garagem.
Não tenho certeza do que isso significa, mas essa foto nossa.
Não tem preço, pronto para aqueles flashes
Porque você sabe, amor, que eu...

Eu seu maior fã , vou te seguir até que você me ame.
PPaparazzi
Amor, não há outro superstar, você sabe que eu serei seu.
PPaparazzi.
Prometo que serei gentil, mas não vou parar até que aquele cara seja meu.
Querido, você será famoso, te perseguirei até você me amar.
PPaparazzi
Serei seu garoto no bastidores do seu show.
Cordões de veludo e guitarras, é, porque você é minha estrela do rock.
Entre os sets, delineador e cigarros.
Sombra está queimada, amarelei na dança e retornei.
Meus cílios estão secos, lágrimas roxas, eu choro.
Isso não tem preço, te amar é uma torta de cereja.
Porque você sabe, amor, que eu...

Realmente bom, estamos dançando no estúdio.
Não pare, aquela musica no rádio.
Não pare, para ninguém.
Somos falsos mas nos divertimos!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O bruno disse (se cuida) pra mim.

i just gotta get off my chest
that i think you're divine
you possess every trait that i lack
by coincidence or by design

(prontofalei!)


Como faz quando a casa já caiu e a gente só percebe quando as fraturas causadas pelos escombros se evidenciam expostas em todos os membros e órgãos vitais? vai saber… o coração segue batendo errante, sangues trocando caminhos, pensamentos tortos por vias difusas e confusas a ponto de confundir tudo… y ahora, amigo? agora nada. é rezar pra conseguir seguir em frente apesar da hemorragia e de não haver caminho ou qualquer deus personalizado.

normalmente, nessa fase, a pessoa que pôs fim à relação costuma ser muito gentil, educado, compadecido com o sofrimento do ser que atropelou. se pouco determinado, pode mesmo ceder ao apelo silencioso por carinho do outro e sofrer falsas recaídas (sexo). havendo noites esparsas de flash back ou não, os reencontros são invariavelmente pontuados por aquela frase monstra: "se cuida".

convenhamos: "se cuida" é a morte. o apaixonado tende a criar falsas esperanças do tipo "ah, ele se preocupa comigo", mas não é por aí. o outro tá dizendo: se cuida, porque eu não vou mais cuidar de você. ou: seja feliz. entenda-se: seja feliz sem mim, dá seus pulos, porque eu tô muito bem, obrigado, sem você. duro, mas é esse o real sentido da coisa... =(

Paz comigo é o que você não vai ter, prometo com todo o carinho safado do mundo.

Beijomeliga. Agooooooooooora!!!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

♥ Carta ♥ para ♥ Michelle ♥ Evelyn ♥


Pra começar, quero reafirmar o que você já tá cansada de saber: meu círculo de amigas-pra-todas-as-horas é mínimo, e te escolhi a dedo (não literalmente) pra fazer parte dele por tudo de bom que você esbanja com a maior espontaneidade. me apaixonei por você à primeira musica. acontece que, como você também já cansou de ouvir, minhas paixões não são incondicionais.


Doeu o puxões de orelha porque faz todo o sentido do mundo. andei meio desnorteado mesmo, e me conforta o fato de saber que você vai entender meus motivos. você sabe que sou meio sem noção, meio de extremos. se bem me lembro, foi por isso que a gente se encontrou tanto um no outro, não?

Hoje em dia eu mando tudo pro inferno e vivo o agora sem pensar demais! vou ser feliz e pago o preço depois, quando vier a fatura. arrisco, bonito. afinal, eu realmente não sou uma pessoa descartável.


Tenho pensado muito em você nesses dias. saudade já paira por aqui, embora ainda posso sentir o cheiro do seu cabelo. o que me inquieta é essa dor tão velha que eu insisto em mastigar de novo e de novo e de novo. me tira o sono a certeza de que mais uma vez eu vou até o fim procurando aquele mesmo final feliz das outras vezes – e que nunca deu sinal de existir. não me conformo com essa minha paixão pela contramão.


Depois da nossa última conversa, eu não preferi realizar meus sonhos com itinerário certo e ponto de chegada definido ao custo de sacrificar outro com rumos e caminhos desconhecidos.


Nada vai me impedir de viver cada segundo desse clichê com a devida intensidade. ando esperançoso demais, e não acho a esperança uma coisa bonita. vejo esse sentimento como primo da pena e irmão do conformismo. gente esperançosa é gente boazinha, gente queridinha, gente evangeliquinha. esperança me dá a idéia de sentar e esperar acontecer, de dar chances e não se mexer, de acreditar no inexistente. péssimo, isso. principalmente quando se deposita todo esse tomara-que-venha em alguma pessoa.


E quando eu estiver triste, mas triste de não ter jeito, quando de noite me der vontade de chupar uma gilete, lá vou eu passear pelos minimos óbvios, sempre me custa um suspiro. dessa vez me fez lembrar de amores que me tiveram sem que eu os tivesse de fato e, por outro lado, dos meus amantes mal amados. as realidades são semelhantes, mas as situações, diametralmente opostas.


Meus 18 anos de boy, that's not over beibe. somos pessoas inteligentes, maduras e civilizadas. admitimos que o ciúme é um sentimento maléfico, sinistro, e desejamos adiantar seu atestado de óbito de uma vez por todas. inexistindo fórmula mágica de um veneno capaz de ejeta-lo de nossos corações, o jeito é adotar o plano b: a técnica da distração deliberada, que consiste em contar até um-milhão-mississipi quantas vezes for necessário pra conter os chiliques que com certeza virão pra cada um de nós. se maturidade, inteligência e civilidade não me forem suficientes pra motivar esse tipo de atitude, penso que auto-controle é sinônimo de não descer do salto - um luxo.

Ólha só, Michelle, tô sabendo da sua relação com o rapaz lá, mas não tenho nada com isso. é coisa de vocês, e não sou ninguém pra julgar e muito menos pra condenar alguém. o modo como te vejo ou o que sinto por você não mudou. pelo menos no que diz respeito a mim. seu sonho, que também era meu, aconteceu e foi lindo. continuo te querendo muito bem, tudo inabalado em mim. a gente não pensa igual em tudo, o que é perfeitamente natural. não podemos curar as feridas do mundo nem decidir pelos outros. enfim, quanto a mim, ainda ouço a faixa 5 do uma outra estação, continua tudo igual apesar do passo em falso, se é que houve um.


Te mando um abraço de pescoço, peito e barriga.
fica bem. e se controla. ou se descontrola. (faz de conta que tô te dando um abraço gigaaaaaaaaante e passando a mão nos seus cabelos perfeitos e rindo muito e te trazendo um café e tudo e tal.)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

NÃO EXISTE AQUECIMENTO GLOBAL!!!




Segundo Luiz Carlos Molion, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU.








Especial para o UOL Ciência e Saúde.



Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.


Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.


UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?



Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.


UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?

Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.



UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?


Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas – algumas das que falavam da nova era glacial – que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.



UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.



Molion: Depende de como se mede.


UOL: Mede-se errado hoje?


Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.


UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?



Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.



UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?


Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.


UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?


Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.



UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?


Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.


UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?


Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.


UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?

Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.


UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?


Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.


UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?


Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.


UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?


Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?


Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.


UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?

Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?

Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?


Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dias de monster


Como faz quando a casa já caiu e a gente só percebe quando as fraturas causadas pelos escombros se evidenciam expostas em todos os membros e órgãos vitais? vai saber… o coração segue batendo errante, sangues trocando caminhos, pensamentos tortos por vias difusas e confusas a ponto de confundir tudo… y ahora, joselito? agora nada. é rezar pra conseguir seguir em frente apesar da hemorragia e de não haver caminho ou qualquer deus personalizado.

Minha mãe mencionou anticoncepcionais, mas não tive firmeza pra assentir. meu pai cogitou viagens internacionais com namorado e eventual genro, mas não tive a menor evidência de que isso seria possível num futuro próximo. minha irmã convidou pra uns dias com meu (nem tão) óbvio acompanhante, mas não tive chão pra propor nada parecido com isso. e sigo aqui, meio sem rumo. porque o mundo é dos pares. avulsos seguem com a manada até que uma aderência espontânea (ou não) enterre a malfadada “solidão” ocidental, maldição dos que ainda não caíram nas teias de um amor pretensamente definitivo – ou que já escaparam de um conveniente-e-equivocado-felizes-pra-sempre.

Já não quero a sorte de um amor tranqüilo. não nos moldes de uma canção do cazuza, ao menos. romantismo de cu… digo. ah! foda-se! é rola e pronto! mc romance a gente cata em cada esquina, e é muito bom no breve espaço de tempo em que as borboletas se agitam por si só. mas isso de matar a sede na saliva é extremamente passageiro. depois de um tempo começa a faltar coca light, cerveja, moscatel, enfim, realidadeANDconteúdo. e então, london, san diego ou barcelona chamam mais alto, e a paixão já foi pelo ralo antes que se perceba. amarga, yo? talvez, mas muitos remédios eficazes o são. minha vez de abandonar o barco da doçura.

Isso de ficar com os dois pés e as duas mãos atrás nunca foi meu. sempre agarrei com unhas, dentes e longilíneas pernas qualquer possibilidade de amor. hoje, estranhamente, vejo que afeto, carinho e atenção podem ser apenas o tal do “amor cortês”. sim, amor, mas sem nada carnal ou sexual. eu hoje acredito amar profundamente com toda a leveza possível, e ainda que não passe disso que hoje se me coloca em minha mesa me darei por satisfeita. não que não pudesse evoluir, mas a gente aprende que às vezes não vale colocar o corpo na roda. não até que se tenha certeza que as eventuais feridas vão valer o dispêndio de “alma limpa”, ou, noutras palavras, de amor-sincero-e-agudo.

Sim, porque isso é digno de ser guardado para pouquíssimos ao longo de uma existência. pra tirar desse involuntário embrulho pra presente, somente diante de um sinal inequívoco, público e notório – porque esse tanto que posso oferecer, aprendi a reconhecer, é para poucos. cansei de jogar pedaços meus em latas de lixo de egoísmos estéreis. cansei de ser a parte que arrisca sem sinal verde brilhando em garantia. como diria clarice, eu quero o “é” da coisa – nada menos que isso. e, afinal, eu quero sim, eu quero sins.

i just gotta get off my chest
that i think you're divine
you possess every trait that i lack
by coincidence or by design

(prontofalei!)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pirofagia



Encontro de almas ao preço de esmagadores socos na boca do estômago. olhos úmidos e abraços cheios de significado. fé. amor, muito amor. e o que conta é como você amou, não como te amaram. a vida tem dessas coisas… sopro de ar fresco em temperaturas descontroladas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O que seus pais pensam?


terça-feira, 6 de abril de 2010

Vem de mim.

Excentrico de coração gelado, dizem que lembro cazuza, digo talvez peter pan ou um icone presidiário; não sinto, não me comunico, não sei amar, não cresço, acredito na sininho e só penso putaria.


É o jeito como as palavras dançam na minha língua antes de deslizarem da boca pra dizer qualquer coisa que te quebra as pernas.


É o jeito como as palavras dançam na minha língua antes de deslizarem da boca pra dizer qualquer coisa que te quebra as pernas.


Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato,a questão é...Ou toca, ou não toca. Isso lhe assusta?Creio que sim. Mas vale a pena.Mesmo que doa. Dói só no começo.


Eu não sou quem você sempre sonhou,não sou de mandar recado, não sou de pedir desculpas, não as mereço nem as vou merecer, sou aquele que desvirtua seu rumo,arrazo com o seu progeto de vida, sou eu quem vai te enfurecer e paz comigo é o que você não vai ter.


Sou um grande coração cercado de dúvidas por todos os olhos, Sou caleidoscópico: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.tenho que ter paciencia para não me perder dentro de mim, por que sou varios caminhos, incluxive o fatal beco sem saida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Becos sem saída.

(eu não sou quem você sonhou
não sou de mandar recado
não sou de pedir desculpas
não as mereço nem as vou merecer.
sou aquele que desvirtua seu prumo
sou eu quem vai te enfurecer e paz comigo é o que você não vai ter) rafis.


Foi sem querer. juro. é que te ver me dá calores em plenos vinte e um condicionados graus celsius, difícil dormir nessa cama gigante. sabe a pessoa errada na hora errada – questão de timing pefeitamente errado–, e que por isso mesmo consegue virar tudo de ponta-cabeça? poisentão. você é minha contramão, literária/sincera/talvez-um-pouco-cafajestemente falando. penso mais do que deveria em você todo santo dia, com vontade de spring brake en cancún, e tropeço na minha certeza de não querer mais ser parte de um par, metade de outro alguém. não, não é nada disso – respiro fundo e repito mil vezes pra mim mesmo. mas eu não sei me controlar.


Eu olho pra todo esse barro, pra essas incontáveis poças de lama de época de chuva no sudeste do brasil e a primeira coisa que enxergo são as estrelas refletidas. olhos de romance, instantânea felicidade suprema. não procuro por isso, não hoje. mas como fugir? tô indo pra me perder, me distrair, ver mamilos-rosados-água-e-sal de perto, pra esquecer meu nome pelo menos até o próximo amanhecer – e o próximo e o próximo, até acreditar em algo. um pouco de desordem, pra sacodir qualquer certeza vã. será este o porto? me virá vontade de voltar? eu me rendo, me deixo levar pra onde meus pensamentos e meus dedos em qualquer teclado me indicarem como melhor direção. não a mais segura direção, mas a melhor para o dia. porque viver um de cada vez é o que funciona pra mim de uns anos pra cá.


Tão certo como dois e dois são sete, não vou mais escorregar nem entrar em becos sem saída; nada de amolecer ou ensandecer por qualquer faísca que de leve ilumine meus cantos escuros. hoje não sou mais espero, e justamente por isso não há mais grandes expectativas. certo? há controvérsias. eu sempre vivi buscando em alguém alguma coisa que talvez, quem sabe, só exista em renato erick. mas, beibe, eu não sou bi nem amo tanto assim essa brancura. cadê você pra dançar comigo minha dancinha debochada que em tão pouco já virou tendência entre a juventude dessa imença cidade depois de (nem tão, admito) poucos copos e em tão poucas baladas? é. em terra de cego quem tem olhos é lady di. mes-mo. cadê aquele beijo de namorinho-de-portão que já me arrancou alguns suspiros? cadê meu sono de dia-de-semana indo pras cucuias? cadê bater meta de fechar o último bar da paulista? tsc. missin ya, hon.

Olha, eu não tenho nada contra samba canção, mas ver alguém, ainda que por breves segundos e desviando o olhar, encaixado di-vi-na-men-te numa boxer escura… putaqueoparirafis. derruba qualquer mortal. me diz, o que é que eu faço? como dormir com isso? aaahhhh! sabe, por votação mundial, incluindo três votos na europa, qual the most delicious body part in men? resposta quase unânime: aquelas curvas, abaixo do umbigo, acima da virilha, aquelas que se acentuam em você e que hipnotizam quem quer que tenha a sorte de te ver [thanks, dear lord], ainda que de relance, com pouca roupa? ain, no fim, o mundo não tem sido tão cruel com minha pessoa…


Como diria amy, não vou aprender a me comportar, não vou me impor grandes mudanças ou adaptações para ser um bem – o seu bem. tanto perdi que já não faz mais muito sentido me dizer não. me vou. talvez volte pro feriado, talvez não volte mais. nessa novela o pior já passou, rezo a santo vinícius pra que assim seja. se for me querer seja inconseqüente (!!!). paz comigo é o que você não vai ter, prometo com todo o carinho safado do mundo.

beijomeliga. agoooooooooora!

quarta-feira, 31 de março de 2010

i told you i was a trouble boy, you know tah't im no good.


(assim, porque és morno, e não és frio nem quente,
vomitar-te-ei da minha boca. (apocalipse, capítulo 3,
versículo 16)



Era quase manhã e eu vim caminhando sozinho até minha casa, em passos arrastados pra aproveitar o restinho da noite fresca e clara de estrelas. logo na segunda quadra machuquei o dedão do pé num paralelepípedo solto. só vi o estrago quando sentei na varanda pra fumar o último cigarro: metade do meu chinelo tingida de vermelho. naquela hora não senti dor nem nada, tão longe meus pensamentos passeavam. talvez toda aquela vodca com limão, gelo e açúcar ao longo da noite veloz tenham ajudado a anestesiar aquele talho. não importa. o fato é que naquela sentada na varanda ao amanhecer eu não estava de fato lá – faltava-me algo pra estar inteiro.



Minha cabeça tem passeado por lugares que eu não faria muita questão de visitar em sã consciência, mas esse negócio de sanidade nunca foi meu forte. e mentalmente dobro repetidas vezes aquela velha esquina, mesmo com a certeza de que dali pra frente o único destino é descer aos tropeços ladeira abaixo, lá praquele lugar que tão bem conheço e onde ninguém quer estar – o vale das confusões doloridas. e sabe, até aquele momento esse era o lugar onde eu enganava minha fome de afeto com qualquer amor porco, raso. não importa o personagem, o lugar é sempre o mesmo: ali minha desesperada vontade de encontrar outra alma era destilada por algum pequeno sofrimento, por acontecimentos sem muita importância que me distraíssem de olhar pra mim mesma e redescobrir o que sempre esteve aqui.



Dia claro, deitei na cama gigante e tentei me aconchegar nos lençóis de algodão com cheiro de limpos. a cabeça lenta, mas incessantemente percebendo que algo havia me acontecido naquela noite. não, não houve beijo ou namorado. não houve velho amor revisitado nem novo amor encontrado. houve conversa aleatória, dancinha debochada e drinques até a hora de ir. cadê o garoto que saiu de casa às dez da noite de ontem? não consegui encontrar, não morava mais em mim. toda aquela tolerância – essa palavra tão feia que insiste em me perseguir –, toda aquela generosidade típica dos carentes, todos os sins a postos pra sair da minha boca, tudo o que me fazia uma homem-de-amor havia desaparecido. é meu lado b dando as caras, o eu que sou mais eu, aquele que não é das-melhores-pessoas-pra-se-aproximar-de e que carrega um crachá de “problema” agarrado no decote profundo.




Depois de três horas de não-sono me levanto pra comprar cervejas e abacaxis pro churrasco de papai. saio va-ga-ro-sa-men-te da garagem pra não dar pinta e sigo a menos de 80 até a saída da cidade pra pegar um vento com cheiro de mato. mal posso acreditar nesse meu novo ser-e-estar. novo não, saudoso. pode parecer egoísta ou romanticamente nulo, mas a sensação de ter o coração vaziamente tranqüilo, a mente sem expectativas e a alma descansando é indescritível. volto pra casa, converso monossilabicamente aos copos amarelos e como um tiquinho de picanha até me dar conta de que é bicho morto – vamos partir pra maionese de mamãe e pro abacaxi com canela, mas não muito pra manter o peso ótimo recém conquistado. sol rachando, piscina morna convidando, mas a cama é quem chama mais forte. só até anoitecer, porque aqui a noite é simplesmente divina – morna, lisa, vento com cheiro de cimento molhado. são paulo, afinal, tem seus encantos.



Me levanto depois das sete da noite. domingo, silêncio absoluto, quintal bem cuidado de papai e mamãe com muro vivo muito verde, chão de tijolos e piscina ainda morna. preguiça de mergulhar. sento sozinho na mesinha de plástico branco – todos estão jogando baralho, bem família. um cigarro, uma cerveja com a embalagem esbranquiçada, ipod de lista em lista. porque a lista do ipod que você escuta revela seu estado de espírito. e não há rock ou dor de cotovelo que aquiete quando a alma saltita serelepe dentro de você. hora de atualizar a biblioteca. não tem mais volta: aquela de menos de 24 horas atrás saiu deste corpo. sou outro, sou inteiro, sou muitíssimo homem, obrigado. e na lista de aleatórias vem aquela do one-two-three-four, uno-do'-tres-cuatro. putaqueopariumarisa! vontade de dançar sozinho, bem fernanda-bbb, ou entre letícia e bruna e grazi e leandro, ou para aquele cara que deixei dormir sozinho outro dia – hoje vejo – por estar desfalcado de mim, faltando o pedaço homem-pra-caralho que há pouco e meio sem querer recuperei.



Do lugar onde está meu coração posso dizer com toda a certeza do mundo: não vale ser metade à espera de, não vale perdoar ou relevar o imperdoável ou o irrelevável. é cada um por si e madonna por todos, até que apareça não metade, mas alguém que valha ser a segunda pessoa do seu par, alguém que compense todos os outros nãos pra todas as outras pessoas interessantes e interessadas que certamente virão. pouco é pouco, morno é morno, ponto. contentar-se com isso é desperdício. hoje novamente vejo (tá, comprei lentes novas com o grau de que necessito, tsc) que o mundo é muito grande e que não preciso ficar nesse lugar onde me enfiei por vontade ou mero equívoco. seja lá o que lhe falte, seja sexo, drogas ou rock, se falta é sinal de que você não encontrou seu lugar. e cedo ou tarde isso vai se tornar evidente. força na peruca e no salto sete! corra, rafis, corra! merecemos. seja quente ou seja frio; naõ seja morno que te vomito.



Voltei a pensar que o melhor som não é o de um sussuro, o de uma declaração sincera ou o de um gemido espontâneo. é o de uma latinha ou long neck de cerveja sendo aberta. proust! rumba! tá, não o mais prazeroso, mas o som mais fiel capaz de arrancar um sorriso em qualquer dia da semana ou hora do tal dia ou da noite. ninguém é indispensável, há felicidade e completude individual – embora invariavelmente temperada com um mínimo de egoísmo, frieza e desencanto. não faz muita diferença quando se chega a esse ponto: ao ponto de simplesmente não se importar, de fechar os olhos pra deliberadamente não ver, de não esperar por nada divino, de afastar qualquer possibilidade de amor até que ela se mostre digna de atenção.



Depois desse brainstorm não senti mais meu dedo do pé arrebentado, é o que menos deveria doer, afinal. já fez casquinha. enfim. não espero. não quero profundidade nem solidez. não agora. quer dizer, não que não queira – só não procuro. se vier, que seja arrebatador a ponto de me levar cego-surdo-e-burro. se não, certamente passarei bem. me encontrei depois de me esforçar até o último cantinho da alma pra ser amor, pra ser um sonho, um bem pra alguém. e, agora vejo, quase deixei passar o que seria de-li-ci-o-so pra mim, sozinho-avulso-single-ladies. já volto, amora, certamente muito mais terrível que na minha partida. que você possa com isso. aloka.


Mas micareta, jamais! hepatite, cárie e todo o resto. essa meta de mais de cinqüenta por noite é insana, vale no máximo por uma vida. como se eu fosse pó, você me cheira – tô fora! nem com ipod e camarote global grátis-free! tenho dito.